Manuel Batista Rosa lança livro de “Memórias” onde aborda a “descolonização” de Cabinda

Manuel João Batista Rosa nasceu em Santana em 1952. Entrou para o exército em 1973. Foi alferes miliciano e cumpriu serviço militar em Angola, com maior incidência no protetorado de Cabinda.

Antes de ir para Cabinda participou no 25 de abril na Escola Prática de Administração Militar (EPAM), quartel que ocupou a RTP.

Bacharel em Contabilidade pelo Instituto Comercial de Lisboa, licenciou-se mais tarde em Gestão pela Universidade da Madeira.

Foi professor durante 43 anos na Escola Secundária Francisco Franco até se reformar há poucos anos.

A sua vida deu um livro e, por isso, lançou recentemente o livro “Memórias” onde aborda, entre outros, temas como a consciência política, o 25 de abril na EPAM e a “descolonização” de Cabinda.

O prefácio foi escrito por Arão Bula Tempo, advogado em Cabinda, defensor dos Direitos Humanos e Ativistas Políticos, presidente do Movimento de Reunificação do Povo de Cabinda para a sua Soberania.

Em 134 páginas, numa primeira fase, o autor aborda a evolução da consciência política enquanto estudante em Lisboa.

Depois, o estatuto político de Cabinda, um dos grandes erros da descolonizacão -entregar uma colónia a outra colónia renegando a CRP de 1933, a ONU e a Organização de Unidade Africana (OUA).

Manuel Rosa também fala da falsa  neutralidade de Luanda, chefiado por Rosa Coutinho, ao ponto de derrubar pela força militar o governo militar de Cabinda com uma força  conjunta na qual participou o MPLA.

Depois escreve sobre a internacionalizacão da descolonizacão a nível político e militar: África do Sul (UNITA), Zaire (FNLA) e Cuba (MPLA).

E termina com a fuga dos civis, consequência da incapacidade política/militar de Portugal de conduzir o processo de descolonizacão.

“A narrativa que se segue é estritamente pessoal mas julgo que, pelo menos parte da mesma, é comum a todos os jovens da minha época. Foram experiências, algumas marcantes, que fizeram amadurecer a nossa personalidade, embora nem sempre no bom sentido”, confidencia o autor na introdução.