Albuquerque apela a Marcelo para ajudar contra “bloqueios bem identificados”

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O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, agradeceu hoje a Marcelo Rebelo de Sousa o facto de ter escolhido a Região Autónoma da Madeira para a celebração do Dia de Portugal e das Comunidades.

Falando na Quinta Vigia, numa recepção ao presidente da República e a outras entidades civis e militares de destaque, Albuquerque considerou que estas celebrações são “mais uma oportunidade para reflectirmos sobre a natureza eminentemente atlântica do nosso País”.

“Com efeito”, enfatizou, “Portugal é um País oceânico com uma linha de costa de cerca de 2.500 Km, uma das maiores zonas económicas exclusivas do Mundo, que se estende por 1,7 Milhões de Km2, e uma futura plataforma continental que poderá vir a registar para o nosso País uma área de jurisdição sobre o Mar de cerca de 4 Milhões e 100.000 Km2”.

“Esta configuração descontínua do território permite ao nosso País, no quadro da União Europeia e do Atlântico Norte, afirmar-se como uma potência média atlântica com oportunidades únicas de aproveitamento de recursos quase todos por explorar. De uma vez por todas, Portugal tem de entender que o Mar é um dos seus principais recursos e que deve liderar, no quadro europeu as potencialidades imensas da Economia Azul. As Regiões Autónomas afirmam-se como espaços privilegiados para o desenvolvimento e vanguarda desta estratégia”, frisou o governante.

Miguel Albuquerque fez a apologia das autonomias políticas enquanto “inestimável instrumento democrático” e disse que “devem ser entendidas como uma solução para o bem do País e não contra Ele”.

“Nesse sentido faço hoje um apelo para a necessidade de se encontrarem e consensualizarem soluções que permitam continuar a responder às necessidades dos cidadãos, ultrapassando bloqueios bem identificados por todos”, denunciou, ao discursar perante personalidades que incluíam o primeiro-ministro António Costa.

“As questões da mobilidade aérea, marítima e digital são outro aspecto incontornável neste século XXI. Não é possível aceitar que a deslocação de portugueses dentro de território nacional custe o dobro ou triplo do que para territórios estrangeiros. O mesmo se diga quanto ao transporte de mercadorias. Por outro lado, com os custos das funções sociais a subir exponencialmente de ano para ano, designadamente a Educação e a Saúde, é essencial encontrar soluções equilibradas e justas para todos, no quadro das responsabilidades do Estado”, reclamou.

Dirigindo-se a Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou contar “com o seu profundo conhecimento da realidade destas Ilhas e com o seu inquestionável amor a este País, para promover um diálogo profícuo e consequente no sentido de se encontrarem novas respostas para as questões que aqui coloquei”.

A concluir, endereçou uma saudação especial “às nossas comunidades espelhadas pelo Mundo que tanto enobrecem e prestigiam Portugal”.

Por seu turno, Marcelo Rebelo de Sousa agradeceu a forma “tão acolhedora” como foi recebido na RAM e como o arquipélago está a acolher estas celebrações, e enalteceu o papel das autonomias. Já anteriormente, na RAM, tinha saudado as mesmas, ao ouvir o elogio das mesmas pelo presidente da ALRAM, José Manuel Rodrigues. Mas também salientou que, se Portugal não é o mesmo sem os seus espaços insulares, estes últimos também não seriam os mesmos… sem Portugal.