GR admite rever moldes das visitas para pessoas com demência, surdez ou outras patologias; recomenda aos lares que sejam sensíveis

O Funchal Notícias confrontou hoje o presidente do Governo Regional e o secretário regional da Saúde com a forma como se estão a processar certas visitas em lares da RAM. Há casos em que se colocam pessoas que sofrem de Alzheimer, demência, surdez ou outras patologias,  a dois metros de distância dos seus familiares, e com máscara, e espera-se ingenuamente que haja interacção. Isto passa-se com utentes já vacinados e visitantes testados para a Covid-19. Ora, tal situação, absurda, configura não só já uma desumanidade como vem colocar em causa a eficácia do próprio processo de vacinação e de testagem: afinal, para que servem estas medidas, se os lares implementam distanciamentos disparatados e draconianos, privando os idosos do convívio à mesma mesa, nem que seja a um metro de distância, com os seus familiares?

A questão pareceu surpreender, em certa medida, os governantes que estavam hoje na conferência de imprensa. A justificação encontrada foi a de que as medidas cautelosas adoptadas para a generalidade dos casos, dos idosos que mantêm a plena posse das suas faculdades, acabam por aplicar-se mesmo àqueles que sofrem destas situações, cabendo às direcções dos lares serem sensíveis à adaptação caso a caso.

“Nós não somos insensíveis, de maneira nenhuma, sobretudo a uma questão tão delicada como o é a das visitas aos familiares nos lares. Todos nós temos ou tivemos pessoas queridas internadas, ou utentes dos lares, e a maioria das pessoas sabe que é muito duro não poder visitar os seus entes queridos. Compreendemos isso, sobretudo depois das circunstâncias duras dos últimos meses, em que houve um grande distanciamento (…)”, disse o presidente do Governo.

As medidas tomadas, reafirmou, procuraram a salvaguarda daquele bem maior que é a preservação da saúde e da vida dos utentes. No contexto pandémico, disse por outro lado, há que aplicar “regras claras”, que são “por vezes gerais e penalizam casos concretos”.

“Devem obviamente ser consideradas pelos próprios lares em função das circunstâncias”, recomendou.

Porém, disse que o que se passou, no próprio país, a nível dos lares foi traumatizante. “Quando as coisas estavam a correr bem, tivemos aqui dois surtos, sobretudo em dois lares, onde morreram pessoas, e houve situações de alguma irresponsabilidade, pois não podemos contar que todas as pessoas sejam responsáveis”, explicou.

“Fazer uma proximidade afectiva do ente querido é fundamental”, admitiu o chefe do Executivo, “agora, temos de ter muito cuidado quando se trata dos lares”. O secretário com a tutela da Saúde, disse Albuquerque, poderá analisar a situação de pessoas com circunstâncias como as acima descritas, para ver de que modo se poderão processar as visitas. “Agora, nas regras gerais o distanciamento tem de se manter por razões de segurança”, justificou, porque, mesmo com a testagem e a vacinação, “podemos ter azar, porque não há 100 por cento de fiabilidade”.

Mas certas “situações particulares”, evidentemente podem ser analisadas, pelas direcções e administrações dos lares, que devem “fazer o possível para que a situação fique resolvida”.