Testes PCR e visitas aos lares continuam a gerar polémica

As complicações com as visitas aos lares e a obrigatoriedade dos testes PCR para os visitantes continua. Exemplo disso é uma situação exposta por uma leitora do FN, devidamente identificada. “Tenho a minha mãe no Lar da Bela Vista, e fiz o teste rápido para poder visitá-la . Foi noticiado que podíamos visitar uma vez por semana (o que já é pouco). Quando tentei agendar para a próxima semana, foi explicado que não podia, porque só posso fazer novo teste 15 dias depois”, indigna-se a nossa leitora. “Fiz o teste no dia 30 de Março e só poderei voltar a fazer no dia 12 de Abril. É revoltante. Também foi noticiado que estes testes seriam feitos no lar, (o que resolvia o assunto) e o que me foi explicado, é que não podia ser, porque não havia enfermeiros para tal função, eram muito poucos. Resultado o que é divulgado pelas autoridades não corresponde a verdade, quem sofre os idosos, minha mãe, (nem eu) não entende porque não a vou visitar todas as semanas. Mais uma vez é revoltante”.

O Funchal Notícias permite-se pegar neste exemplo prático para sublinhar as consequências práticas destas medidas, tomadas pelas autoridades competentes. Muita gente se interroga sobre a necessidade de teste PCR para as visitas. Num ano, as visitas habituais serão submetidas a este teste quantas vezes? Um ror delas, pelos vistos. Serão zaragatoas a entrar e a sair do nariz dos familiares a todo o tempo e toda a hora, quando muitos dos utentes dos mesmos já foram vacinados, e quando parece evidente que as contaminações nos lares provavelmente ocorreram através dos utentes que saíam e voltavam para os mesmos ou através do pessoal de saúde que laborava em várias instituições. Os familiares, esses, eram sujeitos a estrita vigilância e cumprimento das regras sanitárias e de distanciamento social, aquando das visitas.

Durante muito tempo “pouparam-se” os testes PCR, evitando testar massivamente a população, mas agora os visitantes habituais dos lares, onde os idosos estão literalmente feitos prisioneiros há um ano, estão sujeitos a “levar com eles” a todo o tempo e toda a hora. Não admira que surjam interrogações, mesmo para aqueles que estão dispostos a fazê-los, especialmente quando se deparam com a impracticabilidade destas medidas. Entretanto, os idosos já “perderam um ano de vida”, precisamente com a paradoxal desculpa de poupá-la. Não é fácil decidir num contexto de pandemia, e o FN não inveja a tarefa dos governantes e das autoridades de saúde. Mas há medidas que parecem pecar pelo excesso, e que não demonstram lógica nem exequibilidade. parecendo antes tomadas “em cima do joelho”, e precisamente surpreendendo toda a gente quando a abertura dos lares no dia 30 já tinha sido anunciada há muito tempo pelo presidente do Governo Regional… mas sem qualquer referência à necessidade de testes PCR.