Há lugares na ilha onde a notícia da pandemia ainda não chegou

Aparentemente, há lugares na ilha onde a notícia da pandemia de Covid-19 que já causou um milhão de mortos na Europa e muitos mais por todo o mundo ainda não chegou. O Funchal Notícias constatou-o ao passar hoje pelo emblemático bar “Maktub”, no Paul do Mar, onde esta tarde o distanciamento social era uma miragem. E nem apontamos o dedo ao próprio bar, em si: fechou a horas, procurava de algum modo limitar a entrada de clientes e tinha afixados vários avisos a tentar chamar os clientes à razão, para o cumprimento das medidas de etiqueta respiratória, distanciamento social, higiene das mãos. Não, o pior mesmo era a atitude super-descontraída da maior parte das pessoas, madeirenses e não só, que ali se encontravam, literalmente uns em cima dos outros, na maior descontracção, como se não houvesse uma perigosa doença contagiosa que está a baralhar a economia e todas as nossas vidas.

Em determinadas zonas do bar, que é muito pequeno, de facto, e onde é difícil manter distanciamento, podemos afirmar que havia muita gente em grupo, praticamente uns em cima dos outros. Difícil de evitar, de facto. A maior concentração de pessoas, no entanto, dado que havia uma fila para entrar no bar, era no exterior, no paredão que dá para o mar, onde todo o mundo se comportava como se não houvesse Covid-19. Viam-se algumas pessoas de máscara, sim, mas muito poucas. A grande maioria não mantinha sequer 20 cm de distância, quanto mais dois metros, como recomendava um cartaz do próprio Maktub. Dada a pequenez do bar, todos traziam as bebidas para o exterior, o que mais nos baralhou. Estamos enganados ou é proibido consumir bebidas alcoólicas na via pública?

Enfim, o FN quer tudo menos armar-se em moralista. E compreende que as pessoas já estão fartas, que estava uma tarde solarenga, que ainda não era a hora do recolher obrigatório (embora quase), enfim, etc., etc.

Mas na Madeira vamos já a caminho dos 70 mortos. Será assim tão difícil compenetrarmo-nos de que há necessidade de maiores cuidados? E onde está o olhar vigilante, e espera-se que pedagógico antes de necessariamente penalizador, das autoridades?

Que fique bem claro que citámos o exemplo deste bar, mas que estamos certos de que há outros onde se passam situações semelhantes. Pelo que se apela à boa consciência da população e, na falta da mesma, da necessária fiscalização… Os tempos que estamos a atravessar não são uma brincadeira.