Projecto LIFE Natura@night apresenta resultados positivos, diz a SPEA

Na semana em que se assinala o Dia Internacional da Luz (16 de Maio), o projecto LIFE Natura@night apresenta resultados que confirmam: reduzir a poluição luminosa traz benefícios claros para a biodiversidade, para a eficiência energética e para a qualidade de vida. Coordenado pela SPEA-BirdLife, o projecto reuniu ciência, acção no terreno e envolvimento da sociedade para proteger a noite na Madeira, Açores e Canárias — alcançando poupanças energéticas até 60% em alguns municípios, refere um comunicado da SPEA.

“No projecto LIFE Natura@night demonstrámos que é possível iluminar melhor as nossas cidades, as nossas estradas, e até as nossas casas — e todos ganhamos com isso”, diz Cátia Gouveia, coordenadora da SPEA Madeira e do projecto LIFE Natura@night.

A poluição luminosa é uma das formas de poluição em mais rápido crescimento e mais largamente espalhadas a nível global: 99% da população da Europa e dos EUA vive sob céus artificialmente mais brilhantes, com impactos na saúde humana, incluindo distúrbios do sono, fadiga, dores de cabeça, e potencialmente maior risco de cancros com ligação hormonal. Para a biodiversidade, os efeitos são igualmente graves — só nos arquipélagos da Madeira, Açores e Canárias, mais de 10 200 aves marinhas desorientadas pela luz artificial são resgatadas todos os anos.

Poupanças concretas

No projecto LIFE Natura@night, conservacionistas, empresas de iluminação e municípios trabalharam em conjunto para desenvolver e aplicar soluções. O projecto demonstrou que pequenas mudanças fazem uma grande diferença: luz direcionada para o solo, com intensidade ajustada, cor quente e usada apenas quando necessária reduz impactos e custos.

“Juntamente com os municípios parceiros, desenvolvemos Planos Diretores de Iluminação Pública que são como que uma receita para o sucesso. Na Madeira, Açores e Canárias mostrámos que funcionam, e agora podem servir de base para que outros municípios beneficiem também”, diz Cátia Gouveia.

Estas boas práticas já estão a ser adoptadas por entidades públicas e privadas. Para reconhecer boas práticas, o projeto criou o Galardão “Noite com Vida”, que já foi atribuído a 50 entidades nos três arquipélagos.

Proteger a biodiversidade nocturna

A iluminação artificial excessiva e mal direccionada afecta aves marinhas, insectos, morcegos e aves migradoras, alterando comportamentos e causando mortalidade significativa. As equipas do LIFE Natura@night reforçaram o conhecimento científico nesta área, estudando mais de 23 500 insectos e monitorizando morcegos e aves marinhas. A investigação permitiu identificar espécies mais vulneráveis, compreender padrões de comportamento e mapear zonas de risco associadas à iluminação artificial. O projecto mapeou ainda a poluição luminosa em 27 áreas da Rede Natura 2000, revelando que as zonas costeiras — onde se concentram as áreas urbanas e turísticas — são particularmente afectadas.

Comunidades no centro da mudança

Mais de 10 000 pessoas participaram nas actividades do projecto, e cerca de 17 000 alunos estiveram envolvidos em ações de educação ambiental. Pescadores, voluntários e comunidades locais desempenharam um papel fundamental, com destaque para os mais de 450 voluntários que participaram nas brigadas de resgate de aves marinhas.

Com o fim do LIFE Natura@night, a SPEA e os parceiros comprometem-se a expandir estas soluções e integrar boas práticas de iluminação em políticas públicas.

“O nosso objectivo é claro: queremos expandir estas soluções a outras regiões e garantir que a noite continua a ser um espaço vital para a biodiversidade e para as pessoas”, conclui Cátia Gouveia.

O projecto LIFE Natura@night é coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) em parceria com a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, Câmara Municipal do Funchal, Câmara Municipal de Santa Cruz, Câmara Municipal de Machico, Câmara Municipal de Santana, Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, o Governo Regional dos Açores (através da Direção Regional de Políticas Marítimas), o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN, IP-RAM), o Instituto de Astrofísica de Canárias, a ALARED, o Instituto Tecnológico de Canárias, a Fluxo de Luz e a Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO/BirdLife). O projecto é financiado em 60% pelo programa LIFE da Comissão Europeia.


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