Estepilha, as Canárias saem sempre por cima… até quando?

Rui Marote
“Até quando Senhor?” Quase podemos interrogar-nos, assim, como o rei David na Bíblia… Até quando serão as Canárias sempre as ilhas que se saem melhor, em relação à Madeira. Estive em diversas cimeiras Madeira -Canárias -Madeira. Havia mais encontros com os espanhóis num ano do que com os Açores.
O quintal dos Madeirenses no Verão era Las Palmas. Chegámos a ter dois aviões diários, até três, “Airbus”.
Os governos de Alberto João cimentaram uma “aliança” com os nossos “hermanos”.
Visitavam-nos duas vezes por ano alternadas. Na Madeira uma social democracia, enquanto que Canárias era socialista.
Quem não se recorda do presidente canário Ricardo Saavedra e dos alcaides. Chegámos a ter no Carnaval a presença da “Caneca Furada” a desfilar nas avenidas de Las Palmas.
No turismo, numa relação com a secretária da tutela e João Carlos Abreu, pintores e escultores participaram em exposições conjuntas. A água engarrafada de São Vicente esteve à venda no Corte Inglês e Preciados. O nosso Parlamento Regional esteve na ilha de Tenerife, sede da Assembleia Canária, por diversas vezes.
Ao longo dos tempos, tudo passou à escala zero, limitando-se os contactos somente a apertos de mão em reuniões periféricas em Bruxelas.(agora só por online e cumprimentos por cotoveladas e álcool gel).
Estamos de costas voltadas. Com esta pandemia, fechámo-nos na nossa bolha, esquecendo o nosso vizinho e vice versa. Tudo isto começou a 22 de Março, faz um ano, com o MSC Fantasia, que atracou em Lisboa com 1358 passageiros retidos quando foi decretada a pandemia.
Era uma situação nova que nos bateu à porta. Alguém elucidou o presidente Miguel Albuquerque e mal, que o porto do Funchal teria de encerrar não deixando atracar nem fundear nem sequer uma “canoa”. Houve navios de cruzeiro que tiveram de alterar as suas rotas com passageiros ou tripulantes. A ordem era “quanto mais longe melhor”. A única porta de entrada era o aeroporto e os testes à chegada vieram três meses depois. O porto do Funchal permanece há mais de um ano entregue às “gaivotas”.
Entretanto, Canárias permitiu que os Aidas e os Meins Schiff fundeassem dentro do limite autorizado, pagando as taxas dessa operação. Hoje os Aidas e os Mein Schiff navegam entre as ilhas Canárias como se fosse um circuito fechado, não sendo autorizado escalar outros portos que não sejam canários. Caso o façam, não estão autorizados a regressar.
Estava anunciado que o Aida Perla no final de Março faria escala no Funchal e seria o primeiro cruzeiro após pandemia a visitar-nos.
Depressa essa luz se apagou. Vamos continuar às escuras, não sabendo até quando, sem cruzeiros… Esta época acabou, vamos sonhar em Outubro.
O nosso porto apetrechou-se com todos os parâmetros de segurança exigidos internacionalmente; milhares de euros estão no interior de contentores à espera de entrar em acção… Aproveitámos para efectuar melhoramentos e o “saco” está vazio.
Aos responsáveis só lhes resta um diálogo com Canárias, para que possam no futuro desbloquear e em segurança, tentando que os cruzeiros que por aqui escalam tenham acesso aos portos canários e vice versa.