Repetir o erro: não bastaram as mangas, agora são os guinchos…

Rui Marote
A novela das mangas de ligação aos navios de cruzeiro (nos portos) todos conhecem. Milhares de euros deitados ao mar e ainda continuam por desmantelar. Os prazos dos apoios comunitários chegam ao fim. Hoje vamos tratar da nova lota. A novela chama-se “guinchos”. A velha lota do “amianto” desapareceu. O novo secretário das Pescas herdou uma obra em curso  mas armadilhada. Concursos como guinchos, quadro electrónico, móveis, alguns que deveriam estar incluídos no caderno de encargos do edifício, afinal não faziam parte dos mesmos.
Nos primeiros meses do ainda curto reinado, ia de Caifás para Herodes, sem saber o número de porta, reunindo aqui e ali  e chegando a utilizar uma sala do grupo parlamentar para despachos.
Visitou diversos espaços e muitos incompatíveis com o orçamento daquela secretaria. Instalou a Direcção Regional do Mar no edifício da Lota. Foi o último a ter a sua casa arrumada na Avenida do Mar nas ex-instalações da Pecuária. Herdou uma rede de frio obsoleto no Caniçal, abriu concurso há muito paralisado para inspectores. Não tem tido vida fácil…
O seu anterior colega de governo, que acumulava esta pasta, deixou um legado de assuntos pendentes.
Quanto aos guinchos, o sujeito da oração, foi aberto concurso para dois guinchos de descarga de pescado, com capacidade de 500Kg cada.A velha Lota tinha três de 2000Kg cada, embora já muito degradados, mas funcionavam.
A firma vencedora não cumpriu o prazo de entrega e só o fez passadas semanas. A sua instalação tem causado reclamações dos barcos de pesca, por não oferecer condições de segurança. O custo dos dois guinchos foi de 60.000 euros.
A viga de ferro onde estão instalados vibra de tal ordem que pescadores e manobradores temem a sua segurança. Não se compreende a compra para 500kg, insuficiente para descarga de atum no caso de ser rabilho, pois geralmente o peso varia entre os 230kg a 280kg e a grua só tem força para dois tunídeos. Esta espécie de atum é descarregada pela barbatana da cauda e a altura do guincho ao chão é inferior ao comprimento do atum e dificulta o descarregamento. A isto em gíria agrícola, chama-se comprar nabos em sacos…
Do que conhecemos de Teófilo Cunha não vai ser fácil enfiar este “barrete”.
A firma já pensa substituir a viga de ferro e colocar mais uns milhares de euros ao orçamento. Ontem um espadeiro recusou o descarregamento neste método e recorreu uma velha grua móvel do entreposto.