Sofia Canha considera que GR falhou o objectivo de proporcionar médico de família à população

O PS-M, pela voz da deputada Sofia Canha, acusou, hoje, o Governo Regional de ter falhado o objetivo de cobertura de médico de família à população da Região. No âmbito de uma conferência de imprensa online, a parlamentar recordou que o Executivo madeirense tinha estipulado que a Região teria uma taxa de cobertura de médicos de família de 80% em 2019, mas constatou que “os números não traduzem essa promessa”. Isto porque há mais de 30% da população da Região Autónoma sem médico e enfermeiro de saúde familiar. “Há mais de 87.000 pessoas sem acesso a cuidados de saúde familiar na Madeira e no Porto Santo”, sublinhou.

Sofia Canha recordou que a Madeira, Lisboa e o Algarve eram, em 2017, as regiões do país com maior carência de médicos de família, tendo Portugal continental passado de uma taxa de 12,9% de cidadãos sem médico de família, em 2013, para 6,8% em 2018. Afirmou que, apesar de a média nacional de cobertura ter vindo a melhorar, incluindo na Madeira, “é preciso assegurar que todos os cidadãos têm acesso a cuidados de saúde”. E, em seu entender, a Madeira destaca-se pela negativa.

Se, por um lado, Lisboa é uma das regiões com mais carência de médicos de família, por outro lado os níveis de risco de pobreza e exclusão social são os mais baixos do país (14,6%) e há muito mais oferta no privado e no regime convencionado, refere. Pelo contrário, sendo a Madeira a região do país com a mais elevada taxa de risco de pobreza em 2020 (32,9%), Sofia Canha alertou que “milhares de pessoas poderão estar privadas de cuidados de saúde primários, por haver uma larga percentagem de pessoas excluídas das listas médicas e porque não têm condições económicas para recorrer aos privados”. “Em vez de se fomentar a medicina preventiva, está-se a promover o recurso às urgências”, lamentou.

Com esta situação, a parlamentar constata que as pessoas que têm recursos económicos não ficam em risco, “mas aqueles que vivem no limiar da pobreza não têm escolha ou alternativa”, sendo com “estas pessoas que nos devemos preocupar particularmente”.

Sofia Canha entende que é necessária uma melhor racionalização de recursos, já que os recursos humanos em Saúde, sobretudo médicos e enfermeiros de saúde familiar, “não abundam na medida das necessidades ideais”.

Neste sentido, frisa que “importa definir prioridades e necessidades com justiça e equidade, repensando as formas de organização das listas médicas, para que os recursos humanos sejam potenciados e canalizados para quem realmente precisa”.