Funchal entre as 11 cidades europeias do projecto Food Trails

A Câmara Municipal do Funchal é uma das 11 cidades europeias parceiras do projecto FOOD TRAILS, financiado pelo programa da União Europeia “Horizon 2020”. Este projecto visa criar uma rede de cidades que se constituem como locais-chave para reinventar e contribuir, conjuntamente com os cidadãos e parceiros, para a transformação do sistema alimentar, criando os alicerces para a construção de uma estratégia alimentar local, refere uma nota da CMF. O FOOD TRAILS teve início no passado dia 16 de Outubro, Dia Mundial da Alimentação, e terá a duração de quatro anos, com um orçamento global de 12 milhões de euros.

A vereadora com o pelouro da Educação na Câmara Municipal do Funchal, Madalena Nunes, explica que “esta iniciativa tem por objectivo estimular um consumo alimentar mais saudável e melhorar os hábitos de vida da população do Funchal. Devido às alterações climáticas e também com o surgimento da pandemia de COVID-19, as cidades estão a prestar mais atenção às suas políticas alimentares e ao processo de produção agrícola, e é por isso que acreditamos que esta é a altura perfeita para nos associarmos a esta iniciativa e partilharmos conhecimentos e ideias de como poderemos olhar e interagir com a nossa alimentação.”

A Câmara Municipal do Funchal anuncia que pretende com o FOOD TRAILS criar um Laboratório Vivo – Urban Living Lab, onde seja possível envolver os mercados municipais, as escolas, e os parceiros locais das mais diversas áreas, nomeadamente ao nível da produção, transformação e consumo alimentar sustentável, e da literacia alimentar e ecológica. A autarca refere que “nenhum Município tem autonomia para trabalhar por si só as politicas alimentares. O que procuramos é implementar metodologias participativas que envolvam os cidadãos e os parceiros locais nas políticas alimentares, construindo desta forma uma estratégia alimentar municipal que potencie a criação de medidas e estratégias que melhorem a nossa consciência comum dos riscos e da sustentabilidade ambiental e estimulem o consumo de produtos locais e sazonais.”

O facto de muitas cidades europeias e internacionais terem políticas alimentares consolidadas ajudou a que pudessem responder mais rapidamente à crise pandémica, com sistemas de ajuda alimentar para pessoas vulneráveis. Neste sentido, Madalena Nunes recordou a iniciativa “Funchal, Cabaz Vital”, que, desde o início da crise actual, já apoiou mais de 13 mil funchalenses oriundos de famílias carenciadas com a entrega de cabazes com bens essenciais, e onde se incluía a distribuição de folhetos com dicas sobre conservação de alimentos, alimentação saudável e redução de perdas e desperdício de alimentos.

Durante o projecto, a CMF vai trabalhar também em colaboração com a Universidade da Madeira, através do ISOPlexis – Centro de Sustentabilidade da Agricultura e Tecnologia Alimentar, no desenvolvimento de uma dieta alimentar atlântica e de iniciativas de produção alimentar mais sustentáveis. O ISOplexis-Germobanco visa promover o levantamento e conservação da agrodiversidade na Região Autónoma da Madeira.

O Pacto de Política Alimentar Urbana de Milão (MUFPP), em Itália, tem sido o documento de referência, desde 2015, na definição de políticas de alimentação, sendo que a cidade se encontra actualmente a liderar o consórcio de 19 parceiros sobre a transformação dos sistemas alimentares, no âmbito do projeto “FOOD TRAILS”. As onze cidades parceiras desta iniciativa são o Funchal, Bérgamo, Birmingham, Bordéus, Copenhaga, Grenoble, Groningen, Milão, Tessalónica, Tirana e Varsóvia. A estas juntam-se diversas Universidades e stakeholders europeus, nomeadamente: Fondazione Milano Politecnico, Eurocities, Slow Food International, EAT Fondation, Cardiff Univeristy, Wageningen Research, Roskilde Universitet e Cariplo Factory.