Mangas de 2,3 milhões “deitados ao mar” no Porto do Funchal continuam por desmantelar

Rui Marote
Já passou uma década, e as mangas de embarque e desembarque de passageiros que custaram 2,3 milhões de euros continuam por desmantelar no Porto do Funchal. Já em 2018 o FN avançava que estes equipamentos deveriam ser desmontados, mau grado não haver então uma decisão assumida de o fazer. Recorde-se que destas mangas, adquiridas em Outubro de 2010, por concurso público internacional, uma nunca funcionou, e a outra apenas o fez três ou quatro vezes e está danificada,  conforme documentam as imagens.
Foram 2,3 milhões “deitados ao mar”, com formação incluída. A falta de funcionamento, seja por razões de taxas elevadas de utilização, desencorajadoras para os cruzeiros, sejam impedimentos de ordem técnica, concorreu para o previsível destino. Um investimento que se revelou, ao longo dos anos, totalmente sem retorno. O objectivo de então estava virado para a celeridade no movimento de passageiros, na altura em franco crescimento, mas também numa aposta em favor do conforto, motivos mais do que suficientes para que a aposta fosse observada como prioritária e de futuro.
As mangas vieram, e foram instaladas pela empresa espanhola ITP, vencedora do respectivo concurso, com sede em Barcelona.
Os técnicos ainda vieram à Madeira, no âmbito do que estava contratualizado, dentro do prazo de garantia, a inauguração esteve para acontecer em Janeiro de 2011 e depois em Março do mesmo ano, mas nada.
Aventavam-se várias hipóteses: os problemas técnicos avolumavam-se e o projecto parecia condenado pouco tempo depois do investimento. O tempo foi passando e a empresa, a dado momento, descartou responsabilidades em função de já estar fora do período consignado de supervisão e responsabilização da obra.
Além do que rezam as publicações na altura, da ITP avançar que nunca tinha sido comunicada qualquer anomalia que justificasse nova deslocação dos técnicos à Região. Nem tão pouco a APRAM chegou a levar o caso aos tribunais, acabando por ficar com a obra de pouca utilização, sendo que a região nunca foi ressarcida
sequer da parte do que investiu, não se verificando retorno.
Era então director do Porto Bruno Freitas, ali colocado pela secretária Conceição Estudante, que tinha a tutela dos portos da Região.
Decorridos mais de dez anos, as mangas continuam por desmantelar e a herança cabe a Paula Cabaço, actual dirigente da APRAM, que ficou com esta criança no colo, qual “rainha da sucata”…
Mas a gare do Porto do Funchal enferma ainda de outros males, que constituem uma dor de cabeça para esta presidente que muito tem feito com os cofres vazios, enfrentando uma pandemia sem navios de cruzeiro no horizonte e uma gare a servir  de “casa” das gaivotas.
Há quatro elevadores e escadas rolantes na gare que nunca funcionaram, placas e botões por colocar, o tecto da gare mete água, há material que já está a sofrer os efeitos da corrosão. Mais uns anos e adeus gare…