Nova ponte na Ribeira de Santa Luzia suscita perplexidade geral

Rui Marote
O Funchal Notícias ficou perplexo com o resultado das manobras de hoje para colocar a nova ponte da Ribeira de Santa Luzia. Foram quatro horas para colocar uma estrutura metálica entre as duas margens da Rua 5 de Outubro e 31 de Janeiro. As duas ruas foram encerradas ao trânsito, desde a ponte do Bazar do Povo â Praça da Autonomia, criando um caos no trânsito que apanhou os automobilistas desprevenidos.
O aparato envolveu duas gruas da AFA e duas plataformas da Tecnovia e nada menos do que umas duas dezenas de trabalhadores, ncluindo engenheiros do governo e duas empresas. Soldadores, um drone, máquinas de filmar e fotografar e 19 viaturas e quatro agentes da PSP estiveram no local. Fomos informados de que esta operação iria decorrer amanhã ou no domingo. Acabou por ser hoje, sem a presença do arquitecto Paulo David projectista desta ponte metálica. Com este aparato todo, não o detectámos, pelo menos.
E a operação para colocar esta ponte, que até ao momento parece uma obra de engenharia militar, não seria fácil: e abortou aos primeiros ensaios, deitando por terra o esquema de colocação.
Eram 10h30 quando, com a inversão da plataforma e do guindaste e o derrube de sinais de trânsito, finalmente descobriram o “ovo de Colombo”, a solução desejada, e a plataforma assentou que nem uma luva as duas extremidades   nas bermas das duas margens.
Assim temos agora quatro pontes numa extensão de duzentos metros, a ponte do Bazar do Povo a nova “Ponte da Cadeia”, a ponte D. Manuel l e a Ponte do Cidrão…
Confessamos não descortinar razão para esta ponte metálica. Esta ponte era conhecida antigamente como “Ponte da Cadeia”, nos idos de 1486 pois conduzia a Rua dos Ferreiros às proximidades de um antigo estabelecimento prisional situado na rua Direita, então artéria principal do centro da cidade antiga, cujo eixo era o Largo do Pelourinho e que nos conduzia do lado contrário ao mercado D. Pedro V situado nas proximidades da Rua da Praia.
Havia acessos pedonais no séc. XlX que permitiam âs lavadeiras descer ao fundo da ribeira de Santa Luzia e ali efectuar a barrela.
Tudo isto faz parte da nossa História. A fazer-se algo, pensa o FN, deveria tratar-se de algo o mais original possível e não modernismos invocando o passado, à moda do desembarque de Colombo no Porto Santo, num festival anual, em bote de borracha  com motor de popa e não num barco a remos… Com o devido respeito pelo projecto e por quem o encomendou, esta “Ponte do Rio Kwai” suscita muitas interrogações no cidadão. Aliás, foram múltiplas as expressões de estranheza que nos foram hoje transmitidas por transeuntes, enquanto prosseguíamos a reportagem.