Obras no hotel Quinta do Sol geram polémica por descaracterização da obra de Chorão Ramalho

Fotos retiradas das páginas de facebook de Emanuel Gaspar e Ana Teresa Klut

A indignação entre historiadores, artistas, autores e demais personalidades ligadas à cultura e às artes alastra nas redes sociais, em torno das obras no hotel Quinta do Sol, no Funchal, um edifício que constitui uma das mais visíveis criações do arquitecto Chorão Ramalho na Madeira. As considerações são as de que se está a descaracterizar indevidamente as fachadas. Questiona-se que legitimidade tem a Enotel, actual proprietária, para pintar a unidade hoteleira e apagar a intervenção emblemática do arquitecto Chorão Ramalho, um dos mais prestigiados profissionais portugueses, com obra marcante espalhada por vários locais do arquipélago.

Na rede social Facebook, o historiador Emanuel Gaspar denuncia não entender “porque estão a desfigurar impunemente um hotel icónico que é Património Moderno da cidade do Funchal! Uma obra maior da arquitectura do Movimento Moderno está a ser abusivamente adulterada! Uma dor de alma!”, lamenta.

O hotel, no qual já tinham sido feitas obras de reabilitação, voltou recentemente a ser alvo das mesmas, o que faz Emanuel Gaspar dizer-se “atónito e indignado” com a intervenção. E muitas personalidades da cena cultural madeirense partilham deste ponto de vista e têm denunciado, nas suas páginas pessoais do Facebook, a mesma situação, perguntando-se como é possível as autoridades permitirem este “atentado ao património” e descaracterização.

Raúl Chorão Ramalho nasceu no Fundão em 1941 e faleceu em 2002 em Lisboa. É considerado figura destacada da geração de arquitectos modernistas que se afirmou em Portugal no período posterior aos finais da Segunda Guerra Mundial. Tem  obra construída em Portugal Continental, Madeira, Açores, Macau e no Brasil. É protagonista de uma obra multifacetada mas coerente, considerada das mais importantes no panorama da arquitectura portuguesa da segunda metade do século XX.

Na Madeira criou o emblemático edifício da então Caixa de Previdência, a Assembleia Legislativa Regional, entre múltiplas outras intervenções, sempre caracterizadas por uma tentativa de usar materiais e apontamentos próprios do local e de, ao mesmo tempo, criar intervenções pouco agressivas para a paisagem. O seu edifício da Caixa, no centro do Funchal, foi todavia considerado uma torre muito grande, para o seu tempo, tendo gerado polémica. Mas a sua preocupação de integração paisagística, em termos gerais, era notória.