BE questiona se afinal “é para incentivar ou desincentivar o uso do carro”

O Bloco de Esquerda questiona se “é para incentivar, ou desincentivar o uso do carro”, uma vez que o “Dia Europeu sem carros” foi assinalado esta semana enquanto decorriam várias iniciativas de promoção do uso do carro eléctrico: campanha de publicidade patrocinada pelo Governo Regional; um programa que apoia com 5.000 euros do orçamento regional os particulares na compra de um carro novo que acumulam com os 3.000 pagos pela República, exposições de viaturas eléctricas e inaugurações de postos de carregamento de baterias organizadas pelas autarquias. “Uma contradição”, considera o BE.

“Afinal é para incentivar ou para desincentivar o uso do carro individual?”, insiste o coordenador do Bloco na Madeira, Paulino Ascensão.

“O carro eléctrico não emite gases poluentes durante a condução, mas não resolve nenhum dos demais problemas criados pela cultura do carro particular – o congestionamento do trânsito, o stress, a necessidade de mais arruamentos e mais estacionamentos que roubam o espaço que de outra forma estaria disponível para passeios esplanadas ou jardins”, opina o dirigente partidário.

“A mobilidade sustentável é o transporte coletivo, o carro elétrico muda um poucochinho para ficar tudo na mesma”, sentencia Paulino.

No entender deste responsável político, a medida faz sentido para países como Alemanha, França ou Itália e para a União Europeia por arrastamento,  apoiarem as suas grandes indústrias do automóvel em crise com ajudas públicas à compra de carros elétricos. “Tais ajudas em Portugal são ajudas às indústrias alemã, francesa e italiana e são ainda subsídios às importações que pesam negativamente no PIB – na riqueza criada na nossa economia”, conclui.