Festa do Avante 2020: um caso de manifesta insensatez sanitária e incongruência política…

 

Como democrata que sou, congratulo-me e revejo-me na realização de Festas Partidárias, independentemente da sua cor e credo político. Considero-as, inclusive, um factor de vitalidade essencial à vida partidária e funcionamento da democracia, mas continuo sem perceber, ou melhor, percebo mas não aceito, a insistência em levar por diante a realização da Festa do Avante, numa altura em que todos, sem excepção, deveriam ser unanimes quanto à priorização da Saúde em detrimento de qualquer iniciativa partidária do género, por muitos argumentos que possam ser elencados a favor da sua realização e planos de contingência concebidos para a sua legitimação institucional e societária. Além do mais, a efectivação de um evento com esta envergadura contrasta em muito com o que se tem proclamado e cumprido no País numa lógica de clara preocupação com a defesa da Saúde dos Portugueses, vivam eles em Portugal Continental ou nas Regiões Autónomas. Em matéria de Saúde Pública não é suposto haver lugar para a dualidade de critérios, ambiguidades, excepções à regra, pois com isso germinam, desenvolvem-se e proliferam situações opostas às determinações protectoras da Saúde, sejam elas emanadas pelas autoridades sanitárias ou governamentais.

Mas se continua a ser propósito do Partido Comunista Português (PCP) realizar a sua mais afamada Festa Comício na actual conjuntura pandémica, diferente foi e tem sido, nesta altura, a postura adoptada pelas restantes forças políticas nacionais mais relevantes quanto às principais/tradicionais iniciativas do género: do Partido Social Democrata (PSD) soube-se que cancelou a festa do Pontal no Algarve e a do Chão da Lagoa na Madeira; do Partido Popular (CDS-PP), Partido Socialista (PS) e Bloco de Esquerda (BE), não se lhes conhecem agendamento e realização de festividades habituais, designadamente as de “rentreé política”. Ora sem querer beliscar em nada o estatuto e relevância do Festejo em causa, a verdade é que a sua realização em tempo de pandemia e de “alarme nacional” leva-me à inevitabilidade de ter que tecer duas breves considerações sobre o mega evento que, ao que tudo indica, irá realizar-se em Setembro próximo (de 4 a 6 de Setembro) na Quinta da Atalaia – Amora, Concelho do Seixal, com a “mesma lotação de sempre”, ou seja, “100 mil visitantes”. A primeira é a de que a efectivação da FESTA revela uma colossal “insensatez sanitária” por parte da entidade política que a organiza e promove. A segunda, não menos importante, consubstancia uma gritante “incongruência política” já que em nada se encontra em linha com as recorrentes preocupações comunistas relativamente a todas e demais questões relacionadas com o Sector da Saúde. Concretizando, diria que é um ato de “Insensatez Sanitária” pois promove ajuntamentos de pessoas, contextos que, como sabemos, são altamente susceptíveis de propagação do vírus (possíveis fontes de contágio, portanto).“Incongruência Política” porque a circunstância é, em si mesma, contrária à salvaguarda do “Direito dos Portugueses à Saúde” (pois coloca-os em Risco de Infecção ou Doença), negligente quanto aos gastos em Saúde que pode eventualmente originar, caso daí advenham novos surtos de infecção, desrespeitadora do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na medida em que o pode física e humanamente sobrecarregar com novos casos (relativamente a esta última dimensão, são bem conhecidas as situações “Burnout” dos profissionais de saúde devido à COVID-19).

Observando e examinando a firmeza e determinação com que os Comunistas encaram a questão, não obstante a realidade actual que TODOS vivenciamos, e destituído eu de qualquer intuito de afrontar quem quer que seja, nunca foi ou será esse o meu desígnio, é caso para dizer: contra tudo e contra todos “Avante, Camarada, Avante…”.