Monumento alusivo aos 600 anos inaugurado na rotunda do porto do Funchal

Rui Marote

O monumento alusivo aos 600 anos foi hoje inaugurado na Rotunda Harvey Foster, na entrada do porto do Funchal.

A cerimónia teve como único orador Guilherme Silva, presidente da Comissão para as Comemorações dos 600 anos da Descoberta da Madeira e do Porto Santo.
Contudo, a ela ocorreram diversas personalidades da vida pública regional notando-se a ausência do presidente da CMF -ou de um seu representante- e dos deputados da oposição.
Recorde-se que a estátua, uma criação do escultor Amândio de Sousa, deveria ter sido inaugurada a 27 de Março, com a presença do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na altura em que estava prevista a deslocação do mais alto magistrado da Nação à Madeira. Mas o presidente acabou por não poder vir, seguiu-se a pandemia COVID-19 e o monumento permaneceu “oculto” até hoje.
Miguel Albuquerque presidiu à cerimónia de inauguração da escultura comemorativa dos 600 anos da Madeira, na rotunda Bernard Harvey Foster.
A “Escultura Comemorativa dos 600 Anos da Descoberta do Arquipélago da Madeira” é uma obra do artista madeirense Amândio de Sousa. A coordenação dos trabalhos esteve a cargo de “Massa Cinzenta – Duarte Caldeira” É uma estátua concebida durante este ano, em aço pintado, que mede seis metros de altura por 2,40 metros de diâmetro. Pesa 5,8 toneladas. Recorde-se que Amândio de Sousa nasceu na freguesia de São Pedro (Funchal), a 22 de Setembro de 1934. Na infância e adolescência estudou no Colégio Lisbonense (Funchal) e no Liceu Nacional do Funchal. Concluiu o curso superior de escultura na Escola de Belas Artes do Porto com a classificação máxima de vinte valores, tendo sido seus professores dois grandes vultos da escultura portuguesa: Barata Feyo (1899- 1990) e Lagoa Henriques (1923-2009). Nos anos 80 do século XX realizou um curso de pós-graduação em conservador de museus. Desempenhou funções ligadas à cultura, como Assessor para os Assuntos Culturais (1976-1978), tendo elaborado o «Guia Básico da Acção Cultural», em parceria com Carlos Lélis (1931-), então Secretário Regional de Educação e Cultura. Foi diretor do Museu Quinta das Cruzes (1977-2001). É autor de artigos publicados em revistas e organizou eventos relevantes para a cultura (colóquios e exposições). Das suas obras escultóricas, de pequenas dimensões a grandes dimensões, como esculturas em vulto redondo ou relevos, ou mesmo medalhística e troféus, Amândio de Sousa manuseou diversos materiais como barro, barro vidrado, grés, gesso, pedra, fibra de vidro e betão. Desenvolveu prática em design (mobiliário, incluindo mobiliário litúrgico). Alguns obras resultaram de parcerias com os arquitetos Chorão Ramalho (1914-2002), e Marcelo Costa (1927-1994). Amândio de Sousa recebeu três prémios «Secil de Escultura em Betão»: 1992 – 2.º Prémio – Câmara Municipal do Porto; 1993 – 3.º Prémio – Câmara Municipal de Braga; 1994 – 1.º Prémio – Câmara Municipal do Montijo. A ilha da Madeira possui várias obras de sua autoria, em vários concelhos. Entre elas, destacam-se, no Funchal, obras implantadas no hoje Hospital da Luz, no Hotel Monte Carlo, na Igreja do Imaculado de Maria – «Sacrário», na fachada do Centro de Segurança Social da Madeira (relevos) e na Assembleia Legislativa da Madeira (“Trilogia dos Poderes”). Em Câmara de Lobos são dele peças em pedra lioz no Centro Cívico e Cultural do Estreito de Câmara de Lobos e, na Igreja do Carmo, mobiliário litúrgico, uma cruz e uma imagem da Virgem com o Menino. O “Busto do padre Manuel Álvares», na Ribeira Brava, a escultura comemorativa dos 500 anos da Fundação do Concelho da Ponta do Sol e a estátua Justiça junto ao Tribunal na Ponta de Sol, a “Homenagem à Diáspora Madeirense», instalada no Parque Temático de Santana são outras obras de Amândio Sousa. No concelho de Santa Cruz são da sua autoria um painel de azulejo no Aeroporto Internacional Cristiano Ronaldo e ainda a «Escultura Comemorativa do 1.º Jogo de Futebol na Madeira», localizada na Camacha Em Portugal Continental, a sua obra mais emblemática está localizada em Aveiro, no Cais da Fonte Nova.