Estudante Leonor Lopes dá testemunho sobre participação no projeto IDiverSE (Islands Diversity for Science Education)

O Funchal Notícias divulga o testemunho da aluna Leonor Lopes, da turma 9.º 3, que participou na elaboração de uma das estações do projeto IDiverSE (Islands Diversity for Science Education). Trata-se de um projeto  educacional, co-financiado pela Agência Erasmus + da União Europeia que envolve quatro países diferentes (Portugal, incluindo Madeira e Açores, Espanha, Inglaterra e Grécia) e nove parceiros: NUCLIO (Núcleo Interativo de Astronomia), Ellinogermaniki Agogi, Associação Bandeira Azul da Europa, Universidade de Deust, Globallab (Laboratório Internacional de Tecnologias de Educação Avançada), Universidade dos Açores, Escola Dr. Horácio Bento de Gouveia, Escola Secundária Jaime Moniz e Escola Secundári Jerónimo Emiliano de Andrade.

A etapa final deste projeto foi a criação, pelos alunos, de um Trilho da Ciência. Este é formado por estações físicas em que os membros da comunidade educativa podem usufruir livremente.  Todo este projeto tem como objetivos a consciencialização da comunidade e um maior conhecimento científico sobre tópicos locais relevantes.

O Trilho da Ciência é composto por seis estações que destacam a singularidade da nossa comunidade e consciencializam para questões locais e globais importantes, tais como a sustentabilidade, o património e a ciência. As estações estão distribuídas pelos espaços exteriores e encontram-se sinalizadas com o tema e uma pequena descrição. O professor, independentemente do ano de escolaridade, pode fazer o trilho da ciência com a turma.

Leonor Lopes.

O FN reproduz o testemunho da aluna Leonor Lopes:

“Batendo as suas asas 180 vezes por minuto, provocando o seu tão característico zumbido e produzindo litros e litros de um delicioso mel há mais de 150 milhões de anos, assim são as abelhas. É pela simples razão de estes pequenos seres existirem que pude embarcar nesta longa viagem em busca de uma melhor compreensão sobre este tema que não recebe o devido reconhecimento pela nossa população: a preocupante e eminente extinção das abelhas.

Ao longo destes últimos dois anos, tenho vindo a participar no projeto IDiverSE ‘Bees for the future’. Durante a fase inicial deste projeto, nada sobre este tema realmente me cativava, simplesmente não entendia o porquê de tanto interesse num simples inseto. Afinal, as abelhas são como qualquer outro, certo? Batem as suas asas, irritam-nos profundamente com o seu ‘zum-zum’ ensurdecedor, enterram o seu ferrão na nossa pele e provocam-nos dores insuportáveis… o que há de especial? Infelizmente, é assim que grande parte da população do nosso planeta vê estes seres, e era assim que eu também pensava. E acho que está na altura de mudar esta mentalidade.

Para tal, projetos como o ‘Bees for the future’ proporcionam uma nova oportunidade a todos os alunos para aprenderem sobre estes alarmantes problemas que afetam o nosso quotidiano. Através de diversas aulas práticas, fui-me apercebendo de como estes pequenos insetos, famosos pelo seu distinto padrão amarelo e negro, são extremamente importantes no que toca à sobrevivência dos nossos ecossistemas. A ‘Teia da Vida’ foi uma atividade muito interessante, em que cada aluno representava um elemento de um determinado ecossistema e, aos poucos, concluímos que qualquer ser vivo, quando afetado, pode levar ao completo desequilíbrio desse ecossistema, o que nos conduz à grande importância das abelhas no nosso planeta. Por meio de questionários e pesquisas descobrimos que, infelizmente, cerca de 20% das espécies de abelhas são ameaçadas pelas alterações climáticas e pela poluição atmosférica, tudo feito pela mão humana, tudo provocado por nós. Assim, reconhecemos que tínhamos a capacidade de fazer a diferença. Foi então que o ‘Trilho da Ciência’ nasceu.

Este ambicioso projeto, intitulado ‘Trilho da Ciência’, foi coordenado por professores e alunos. Constituído por diversas estações e abordando os mais variados temas, esta atividade tem como objetivo a sensibilização dos alunos de todas as idades para os diferentes problemas que afetam o planeta Terra. Mais uma vez, admirei a dedicação de todos os envolvidos em transformar a nossa escola num ambiente educativo, mas divertido, mesmo fora da sala de aula.

Esta jornada ‘IDiverSE’ tem sido algo inovador que me ensinou não só como posso fazer a diferença num mundo tão extenso, mas também a trabalhar em equipa e crescer como pessoa, junto de pessoas igualmente interessadas num assunto como este.

Tem sido uma experiência incrível pôr em prática os meus conhecimentos, pois “A teoria é apenas uma semente, a prática é o seu fruto.”