Jardim diz que candidatura de Albuquerque a Belém não deve ser para “questões domésticas” e descarta eleições antecipadas na Região

Alberto João Jardim, o antigo presidente do Governo Regional, já tinha vindo a público afirmar a sua posição favorável à candidatura de Miguel Albuquerque à presidência da República, mas fê-lo agora, com maior ênfase, num escrito publicado no JM. Um apoio que se segue a outros já conhecidos, como por exemplo o de Miguel Sousa, antigo vice do Governo Madeirense ou Pedro Calado, atual vice de Albuquerque.

Com reações tão ambiciosas quanto o próprio primeiro “esboço” da candidatura, por estar em causa uma figura de uma popularidade quase intransponível, como é Marcelo, a verdade é que se começa a formar uma corrente de opinião favorável a esse avanço de uma candidatura a partir da Madeira, mesmo com o risco associado de uma derrota quase certa, ainda que à partida não existam nem vencedores nem derrotados por antecipação.

Jardim escreve que “a candidatura de Miguel Albuquerque à Presidência da República tem de ser uma candidatura nacional, não para questões domésticas, fundamentalmente com o objectivo de devolver Portugal aos Portugues”…”Constituirá a candidatura de alternativa à do candidato do Secretário-Geral do Partido Socialista, António Costa. António Costa não é um estadista. A crise do COVID, demoras, indecisões, lacunas, etc., confirmou-o”.

O antigo presidente do Governo é de opinião que “como mandam a coerência e a própria lógica Rui Rio não apoie o candidato do Secretário-Geral do Partido Socialista, depois das inoportunas e indevidas aproximações do Palácio de Belém aos seus adversários internos e em período eleitoral para os Órgãos nacionais do Partido Social Democrata. A Direcção nacional do PSD deve apoiar um candidato próprio ou, no mínimo, sugerir a liberdade de voto”.

Para Jardim, numa outra abordagem relativa a eventuais eleições antecipadas, estas não fazem sentido. E explica: “Não passa pela cabeça de alguém com bom senso, provocar eleições regionais antecipadas na presente crise sanitário-económica. As circunstâncias são diferentes de 2007 e há que observar uma lealdade rigorosa com o parceiro de Coligação”.

Alberto João Jardim não poupa críticas a Marcelo Rebelo de Sousa e a António Costa, na linha do “estalar de verniz” que nos últimos tempos fez endurecer o discurso da Madeira para Lisboa, designadamente com contornos de cirspação da Quinta Vigia direcionada para Belém, sabendo-se que não é novo o desconforto do Presidente da República relativamente a certas atitudes do presidente do Governo Regional.

“A dupla Costa-Marcelo não resolveu as questões mais importantes das Regiões Autónomas, desta forma contrariando o Interesse Nacional. Jamais reconheceu o patriotismo do Povo Açoriano e do Povo Madeirense que, ao contrário de outros Povos e problemas gravíssimos no seio da própria União Europeia, NÃO SOMOS SEPARATISTAS”, escreve o antigo líder do Executivo Madeirense.