Há médicos madeirenses que acham que se deviam testar todos os profissionais de saúde

Há médicos no Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira que ainda se encontram apreensivos com a situação do Covid-19. Ao Funchal Notícias chegaram preocupações destes profissionais, relacionadas com a actual situação de desconfinamento e retoma de uma certa normalidade nos serviços. “Qual é a racionalidade”, perguntam, “de na Região não se testarem TODOS os profissionais de saúde?” E alertam: “Em tempo de desconfinamento, há risco de os próprios profissionais de saúde serem risco de contágio.

Por enquanto, a RAM está a limitar-se a testar os que tiveram, ou julga-se que tiveram, contacto com doentes Covid, ou um qualquer potencial foco infeccioso. Mas estas opiniões, de profissionais com muitos anos de experiência, e que nos foram transmitidas sob condição de anonimato, surgem na sequência de declarações prestadas recentemente pelo secretário de Estado da Saúde. A 15 deste mês, António Lacerda Sales garantiu que todos os profissionais de saúde que contactaram com pessoas com Covid-19 foram testados, e tiveram acesso a equipamentos de protecção individual. Lacerda Sales, recorde-se, reagia a um estudo da Fundação Champalimaud e da Ordem dos Enfermeiros que apontava para que o número de enfermeiros expostos ao novo coronavírus é até dez vezes superior ao número de infecções confirmadas. Uma estimativa que Lacerda Sales se escusou a comentar, mas que parte dos resultados de testes serológicos feitos em dois hospitais da Fundação Champalimaud, de Lisboa e Porto.

Não faltam médicos que entendem que a RAM deveria testar todos os seus profissionais de saúde, bem como, por outro lado, são críticos da percentagem de testes realizados e da “poupança” dos mesmos que tem sido feita, apesar do secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, considerar sempre e repetidamente que “se está a testar cada vez mais” e que os testes têm sido bem aplicados.

Clínicos com que o Funchal Notícias trocou impressões apontam no sentido de que, como não se testa mais, não surgem mais casos activos, os quais, segundo os dados oficiais, se têm circunscrito ultimamente a apenas 31.


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