Deixem-me falar-vos de Nossa Senhora: milagres acontecem em Fátima

Não é fácil para uma ignorante em teologia falar da Mãe de Deus. Mas, justamente porque se trata de Nossa Senhora, atrevo-me hoje, a 13 de maio, a dizer alguma coisa, guiada pelo Espírito Santo e naturalmente pela Mãe do céu.

Até há uma década, olhava para as celebrações do 13 de maio, no Santuário de Fátima, como um mero ritual católico e mais um motivo oficial para o turismo e comércio religiosos. Mais uma tarefa para dar eco jornalisticamente e, certamente, um tema para as multidões rezarem um pouco mais e divulgarem as suas selfies com as bênçãos da Virgem Maria, que a todos acolhe na casa comum.

As circunstâncias da vida levaram-me a uma experiência de Deus que eu não escolhi mas que, certamente, Deus e a sua Mãe, acharam que eu teria de a viver. Por sugestão amiga – Jesus tem os seus servos para executar os seus planos – conheci, verdadeiramente, quem é Jesus, como orar e como já não conseguir viver sem Ele. Descobri-o, nos meus acasos – para mim coincidência, mas para Deus providência – numa simples Oficina de Oração e Vida, onde, através do conhecimento da Bíblia e de uma prática diária dos seus ensinamentos, renasci para o tesouro da confiança divina. Não fiquei materialmente mais rica. Os meus desassossegos não terminaram pela magia divina mas encontrei em Jesus a fortaleza e o amor gratuito para dobrar-lhe os meus joelhos no chão e colocar nele e só nele a minha confiança. O que alcancei com isso? A paz, a fortaleza, a certeza de que Ele é o caminho, a verdade e a vida.

Depois da experiência de Jesus na minha vida, redescobri o amor de Nossa Senhora, justamente em Fátima. Até lá, muitas leituras sobre Nossa Senhora e devoções marianas. Muitas homilias insípidas a ouvir louvar a Virgem Maria. Muitas procissões a 13 de maio. Mas não foi aí que a Mãe falou mais alto no meu coração. Foi precisamente em Fátima, nesse altar do mundo. Já por lá tinha passado antes, mas a descoberta só acontece quando Jesus quer. No ano passado, acabada de chegar a Fátima com a família – fora do calendário das grandes celebrações de maio – um amigo – os tais servos do Senhor – telefona-me e diz-me: então, se estás em Fátima, não te esqueças que a primeira coisa a fazer num santuário santo é a confissão. Tinha-me já confessado na Madeira, há menos de uma semana. Mas não perdi tempo a discutir e, em vez de seguir para a capelinha das aparições, toda a família foi confessar-se, a meu pedido. Falo apenas da minha experiência. Encontrei um sacerdote angolano, com todo o tempo do mundo para ensinar, que alimentou um diálogo incisivo comigo durante quase duas horas! Não me esqueço da sua serenidade mas desenvoltura e firmeza na voz: “Sabe que aqui, em Fátima, a confissão é também uma orientação espiritual…” Saí atordoada, abalada, mas com uma missão: mover montanhas para resolver uma situação em que me encontrava que não era conforme à vontade de Deus. Nesse dia, o meu olhar para Nossa Senhora já foi diferente, na capelinha das aparições. O meu coração estava diferente. Um tumulto de dúvidas inundou-me. Algo de muito forte tinha acontecido. Eu, que apenas tinha ido a Fátima orar um bocadinho, tranquilamente, sem inquietações e vinha com a alma do avesso.

De regresso à Madeira, pensei até em esquecer ou ignorar o que vivi em Fátima. Mas a imagem de Nossa Senhora cruzava-se sempre no meu caminho sempre apressado de mil e uma tarefas mundanas para cumprir. Até que decidi parar, refletir no que acontecera em Fátima e tentar resolver a situação que me afastava de Deus. Já o tinha tentado antes, com muita desilusão, empecilhos e bloqueios de todo o lado. Mas fui à luta e contei apenas com uma ajudante: Nossa Senhora, templo vivo do Espírito Santo. Curiosamente, os caminhos abriram-se, a Graça de Deus aconteceu e um bocadinho de céu desceu à minha vida. Como não partilhar esta riqueza alcançada no colo da Mãe?

Hoje, mais do que  nunca, o meu sorriso cúmplice para Nossa Senhora com um coração a transbordar de gratidão. Foi Ela que me levou pela mão a regularizar a minha vida com Deus. Por isso, Fátima não se pode descrever ou sequer teorizar à luz de qualquer filosofia. Sente-se. Vive-se. Experimenta-se na vida o Amor de Deus e da sua Mãe, com silêncio, discrição, muita oração e fazendo-se cada vez mais pequenina para poder ver o essencial deste mundo, Jesus.


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