A Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi) apresentou aos municípios portugueses um conjunto de medidas de acção urgentes para transformação do espaço público e apoio da mobilidade activa (caminhar e andar de bicicleta) para protecção da saúde dos cidadãos, no pós confinamento da COVID-19.
A associação considea preocupante e surpreendente a inacção do Governo Português em estabelecer orientações e tomar medidas para protecção da saúde dos cidadãos nas deslocações e uso do espaço público, quando pede aos portugueses que voltem a muitas das suas actividades normais que garantem o funcionamento da sociedade.
Governos como os de Espanha, França e Itália iniciaram planos e medidas imediatos para fomentar o uso dos modos activos de deslocação na saída do confinamento. França lançou um programa de emergência de 20 milhões de Euros para incentivar o recurso à utilização da bicicleta. Estes países trabalham na prevenção do congestionamento das redes viárias e do colapso das suas cidades.
Pelo contrário, o Governo Português assenta a sua proposta de mobilidade do pós-confinamento no automóvel particular como alternativa à oferta limitada da rede de transporte colectivo. Tal é não só insuficiente como compromete a necessidade de distanciamento social, a salubridade do ar das cidades, ou a mudança do paradigma de mobilidade, até ao confinamento, preso a um monopólio do uso do automóvel particular, opina a MUBi.
A MUBi propõe aos Municípios Portugueses um conjunto de medidas prioritárias, rápidas e de baixo custo, para apoiar e fomentar a utilização dos modos activos de deslocação durante a saída do confinamento.
A definição de corredores de saúde (health corridors), realocando espaço anteriormente do automóvel aos modos activos, através do fecho de ruas ao tráfego motorizado ou da supressão de vias de trânsito ou lugares de estacionamento para o alargamento de passeios e criação de ciclovias, incentiva as deslocações a pé e em bicicleta e assegura o necessário distanciamento físico, sustenta.
Planos de urgência de estímulo à mobilidade em bicicleta, parqueamentos seguros para velocípedes, gratuitidade do uso de sistemas de bike-sharing, ou mesmo campanhas de comunicação incentivando ao uso dos modos activos, promoverão uma alternativa segura e saudável ao automóvel individual ao mesmo tempo que contribuem para o descongestionamento dos transportes colectivos.
A utilização da bicicleta durante a pandemia permite manter o distanciamento para evitar o risco de contágio e contribui para reduzir a poluição do ar, factor associado a taxas mais elevadas de mortalidade por COVID-19. Ajuda, ainda, a descongestionar os transportes públicos, deixando-os mais livres para quem efectivamente precisa deles. A utilização da bicicleta e o caminhar proporcionam actividade física, contribuem para o reforço do sistema imunitário e reduzem os risco de várias doenças, como diabetes e obesidade. A OMS recomenda, sempre que possível, o seu uso nas deslocações necessárias durante a pandemia, defende a MUbi.
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