O vice presidente do Governo Regional admitiu hoje, no Parlamento Madeirense, durante a reunião da Comissão Permanente, que “há medidas e projetos planeados para 2020 que, obviamente, deixam agora de ser prioritários”, sem especificar quais. Isto porque os meios financeiros serão direcionados para o combate e e a preparação do pós Covid-19.
A reunião parlamentar visou debater as medidas sanitárias e medidas para travar as consequências das medidas adotadas contra a pandemia. Uma reunião que teve ainda a participação do secretário regional da Saúde.
Pedro Calado traça um cenário: “No cenário mais gravoso, se a pandemia não recuperar no 2.º semestre levando a períodos mais longos de contenção, a queda do PIB pode ser ainda maior e atingir os 23%. A taxa de desemprego poderá crescer em 11,5 pontos percentuais, podendo atingir os 18,5% em 2020 (mais de 25.000 pessoas).”
Revela que “as estimativas relativas à receita fiscal, ficam muito abaixo dos valores considerados no Orçamento Regional para 2020, devendo cair mais de 150 milhões de euros, isto é, cerca de 16% do total de 943 milhões de euros inicialmente considerados”.
Calado lembra que “a paralisação imposta pela emergência da pandemia de COVID 19 implicou uma retração rápida e sem precedentes e apesar de estarmos melhor e mais preparados para lidar com esta crise como nunca estivemos em qualquer outra, a incerteza prende-se com a duração desta inevitável recessão e com a rapidez da recuperação económica que todos almejamos. A extrema incerteza em torno da duração e da intensidade da crise sanitária obriga à construção de cenários alternativos mais adversos, com novas ruturas das cadeias produtivas globais e agravamento das condições financeiras”.
Recordou que “até ao início do mês de março, a nossa Região encontrava-se num trajeto de sustentabilidade económica, financeira e social, marcado pela consolidação do equilíbrio das contas públicas regionais e pelo crescimento, há 7 anos consecutivos da nossa economia.
Um esforço de consolidação demonstrado, igualmente, pela redução de 1,5 mil milhões de euros da dívida global da Região, entre 2012 e 2019 e reforçado pelas sucessivas avaliações positivas das agências de rating à capacidade financeira da Região em cumprir com as suas obrigações.
Uma situação financeira sólida e consolidada, patente no reforço da capacidade de satisfazer os nossos compromissos financeiros e na diminuição do prazo médio de pagamentos aos nossos fornecedores de 1276 dias em 2013, para 56 dias no final de março de 2020, contribuindo significativamente para a competitividade das empresas e para a dinamização da economia regional”.
O vice presidente do Governo Regional aponta que apesar do ainda considerável montante de dívida pública, a Região vai continuar a honrar os compromissos com os seus credores e fornecedores.
“Não podemos aceitar pretensas lições de moral de quem, na Região, critica a dívida que esteve ao serviço do desenvolvimento da Madeira e do Porto Santo e, em Lisboa, assobia para o lado e nada tem a dizer sobre a dívida nacional que não parou de crescer. O problema que enfrentamos é de génese mundial, europeia e nacional e, como tal, a Região não aceita menos do que a solidariedade do Estado e da União Europeia”.
Calado diz que aqueles que querem “levantar fantasmas do passado para branquear a ausência de posição e de medidas do governo central, fazem politiquice barata e ânsia de aparecer nas páginas dos jornais com déficit de notícias efetivamente relevantes para a opinião pública”.
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