Editorial: Vamos ser claros… acabem, este ano, com as sessões solenes do 25 de abril e 1 de maio

Qual é parte da declaração do “estado de emergência”, no espírito da lei e não na letra da lei, que os políticos não interiorizaram?

Na Assembleia da República haverá uma sessão solene com um terço dos deputados e convidados (dizem que poucos) nas galerias. Mas haverá sessão solene.

Por cá, a Assembleia Legislativa da Madeira também decidiu realizar a sessão comemorativa do 25 de abril, com apenas os membros da comissão permanente e mais um deputado de cada grupo parlamentar. Todos os partidos terão direito a intervenção.

Senhores políticos! Vamos ser claros! Qual o contributo que estas sessões solenes trará para o País/Região? Vai melhorar a vida das pessoas? Atenuar as suas preocupações? Pagar as suas contas?

Como profissional da comunicação social, sei bem da importância de relembrar as conquistas de Abril e o preço da LIBERDADE. Mas esta afirma-se nos outros 265 dias do ano e não apenas num. O 25 de abril é “sempre”!

Também conheço as intervenções políticas nestas sessões solenes. Salamaleques, panegíricos e discursos laudatórios sobre a importância do 25 de Abril.

Mas pergunto novamente: Perde-se alguma coisa se, excepcionalmente, este ano, não se realizarem as cerimónias do 25 de abril e 1.º de Maio? Nada, nothing, niente, nichts.

Lembro que está em vigor o Estado de Emergência até ao dia 2 de maio. Com tudo o que isso implica, incluindo confinamento obrigatório e distanciamento social.

Com estes exemplos, o que os políticos nos querem dizer é que fazer uma sessão solene é tão importante como ir à Farmácia ou ao Supermercado. E mais importante do que adiar consultas ou fazer a última despedida num funeral.

Com uma agravante: transmitem aquela ideia “Faz o que eu digo, não faças o que eu faço”.

Bom fim de semana!


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