
O contexto é de isolamento e o Portugal ainda não pode dizer, de forma clara, o que virá depois da Covid-19. Ao mesmo tempo que se aborda o regresso, progressivo, à normalidade, ao mesmo tempo que se pondera o regresso às aulas presenciais, designadamente para os 11º e 12º anos, continuam a registar-se mais mortes e mais casos de infeção, o que leva a uma reflexão sobre os perigos que essa abertura poderá eventualmente originar.
Para já, em termos de regresso às escolas, sabe-se que o Ensino Básico será todo concluído à distância, sem provas de aferição nem exames nacionais do nono ano. O décimo ano também será concluído apenas à distância. Relativamente aos 11º e 12º anos, as dúvidas persistema relativamente às aulas presenciias, mas os exames serão mesmo realizados e para isso já foram adiadas as datas da primeira (6 a 23 de julho) e segunda épocas (1 a 7 de setembro).
Depois da Páscoa, já dia 13 de abril, começam as aulas à distância, mas a telescola só começará a 20 de abril, através da RTP-Memória, um canal que está disponível para a maior parte dos portugueses, quer por via do Cabo, quer pela TDT. A Madeira só amanhã dará a conhecer a sua posição relativamente a aulas presenciais, embora já tenha anunciado acordo com a RTP para a transmissão de aulas tanto para o Ensino Básico como para o Secundário.
Entretanto, num momento em que os alunos estão de regresso às aulas, embora à distância, o Ministério da Educação, através da Direção-Geral da Educação (DGE), em colaboração com a Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP), construiu este sítio (https://apoioescolas.dge.mec.pt) com um conjunto de recursos para apoiar as escolas na utilização de metodologias de ensino a distância que lhes permitam dar continuidade aos processos de ensino e aprendizagem.
Este apoio deverá permitir a todas as crianças e jovens:
– Manter contacto regular com os seus professores e colegas;
– Consolidar as aprendizagens já adquiridas;
– Desenvolver novas aprendizagens.
Perto ou longe, a Educação é um direito!
Dada a grande diversidade de contextos, privilegiamos soluções que utilizem processos simples e não exigentes de muita tecnologia, largura de banda ou elevadas competências digitais dos utilizadores. Tal não invalida a utilização de tecnologias mais sofisticadas, desde que as condições locais assim o permitam.
Numa primeira fase, todas as escolas devem manter o contacto diário com os alunos e iniciar uma dinâmica em que, gradualmente, poderão introduzir processos e ferramentas mais complexas de interação. Todas estas novas formas de aprender e de ensinar implicam uma curva de aprendizagem, tanto para os professores como para os alunos.
Deverão ser privilegiadas atividades assíncronas, menos exigentes em largura de banda e que não requeiram dispositivos de última geração. No caso em que os destinatários são crianças ou alunos mais novos, da Educação Pré-escolar e dos 1.º e 2.º ciclos, as atividades deverão, sempre que possível, ser intermediadas pelos encarregados de educação.
Nesta fase inicial, é fundamental que sejam desenvolvidas formas simples para não se perder o contacto com os alunos, em particular aqueles que não têm ainda acesso a internet ou equipamento. Um contacto estabelecido através de organizações e associações locais ou da Junta de Freguesia poderá assegurar que estes alunos também recebem materiais e tarefas para fazer.
Em cada escola/agrupamento deve ser criada uma equipa de apoio aos restantes docentes, quer porque o trabalho dos docentes estará também a ser feito a distância, quer porque poderá haver algumas pessoas menos experientes neste tipo de modalidade de ensino. Esta equipa poderá ainda organizar sessões de formação a distância ou disponibilizar recursos para autoaprendizagem.
Brevemente, a DGE irá disponibilizar um curso sobre metodologias de ensino a distância, procurando também desta forma apoiar as escolas e os seus docentes.
Em cada escola deverão ainda ser definidas as ferramentas e as metodologias a utilizar, tendo em conta os diferentes níveis de ensino. Na medida do possível, deve ser evitada a proliferação de ferramentas e de plataformas para que haja uma harmonização de métodos de ensino e aprendizagem em cada ciclo e, com isto facilitar a concentração dos alunos nos espaços digitais.
Terá de haver enorme cuidado para que todos os alunos, independentemente dos dispositivos que utilizem e do software instalado, tenham acesso aos recursos disponibilizados pela escola. Deverá ser utilizado software de livre acesso e não muito exigente do ponto de vista tecnológico ou de largura de banda.
Escolas mais avançadas tecnologicamente deverão partilhar as suas práticas e apoiar, sempre que possível, outras que se encontrem em maior dificuldade. Caberá também aos Centros de Formação de Professores promoverem esta partilha e apoiarem as escolas neste grande desafio. Neste momento em que todos nos defrontamos com problemas de grande complexidade, a colaboração entre todos é fundamental.
Sublinhamos aqui a importante comunicação da UNESCO, que publicou recentemente 10 recomendações sobre ensino a distância, no âmbito do encerramento de muitas escolas em vários países, recomendando a leitura atenta e a divulgação dessas recomendações junto de todas as comunidades educativas.
Criámos um endereço de e-mail (apoioescolas@dge.mec.pt) para resposta às dúvidas que nos queiram colocar e receção de sugestões e partilha de recursos.
Neste espaço, que queremos dinâmico, iremos disponibilizar continuamente novos recursos, partilhar práticas e sobretudo dar resposta a este grande desafio: manter o processo de ensino aprendizagem em funcionamento, para que todos os nossos alunos continuem a aprender.
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