Presidente do GR admite situação “catastrófica” para a economia e uso de máscaras para a generalidade da população

Miguel Albuquerque constatou hoje em conferência de imprensa: “Até agora não tivemos o apoio de ninguém”. Referia-se à solidariedade do governo da República e da União Europeia para com a Madeira, numa altura em que a RAM enfrenta um tremendo abalo na sua economia, com uma enorme recessão que se avizinha e num momento em que sofre perdas diárias substanciais. No entanto e apesar da situação, que considerou verdadeiramente grave, mesmo catastrófica (algo que, admitiu, só poderia ser negado por alguém “sem cérebro”) mostrou-se até compreensivo para com o Primeiro-Ministro, admitindo que António Costa está actualmente numa situação difícil, muito complicada, tendo de gerir um país afectado por uma pandemia e num estado de emergência. Porém, o presidente do Governo da RAM acredita que “o esforço de solidariedade nacional deverá contemplar a Madeira” e mencionou a solidariedade e compreensão que tem sentido da parte do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Acredita também que, passada a “tempestade”, a União Europeia ajudará a Madeira a reerguer-se.

“Nós ainda não tivemos a resposta formal a estas questões devido à emergência nacional, e à situação de prioridades que neste momento são múltiplas e variadas”. Os governantes nacionais e presidente da República estão neste momento numa situação “de grande esforço”. Albuquerque desfazia assim impressões de que a República esteja deliberadamente a ignorar as necessidades da Região neste momento. “Vamos encontrar uma plataforma de entendimento, não só no sentido de a Madeira ficar dotada da capacidade de fazer operações de financiamento, como depois, de receber uma parte daquilo que é o esforço de solidariedade nacional para poder recuperar a sua economia e fazer face às difíceis situações sociais que vamos ter pela frente”.

Albuquerque disse que a RAM perde, em termos de PIB, e por mês, 430 milhões de euros. “Acho que isto é catastrófico”, reconheceu. Só no turismo, enunciou, a Madeira está com uma redução de 0,5 no PIB por semana. “Perdemos por dia, só na hotelaria e na paralisação da construção civil, 8 milhões de euros por dia. Significa 130 milhões de euros para a construção, por mês, e 112 milhões por mês para o turismo”. Desde que foram tomadas as actuais medidas restritivas em vigor, a Região já perdeu 183 milhões de euros. Por outro lado, a Madeira terá uma quebra nas receitas fiscais de 148 milhões de euros.

“Nós estamos num cenário que só uma pessoa destituída de cérebro diria que é um cenário “mais ou menos”; nem “mais ou menos” é, este é um cenário que vem alterar completamente as nossas expectativas relativamente ao crescimento económico e ao emprego, realçou. “É uma situação que temos de encarar de frente, com coragem”. Neste momento, sublinhou, todo o esforço do GR está concentrado na salvaguarda da saúde pública, que é o prioritário.

“Se nós não tomássemos estas medidas de paralisação quase absoluta e de isolamento pessoal e de confinamento, tínhamos uma alternativa, que não seria brilhante: a disseminação de pandemia incontrolável na Madeira, onde tudo iria entrar em colapso, além das vidas humanas que se perderiam, e o próprio sistema de saúde entraria em ruptura completa e ninguém conseguiria sair desta situação”, afirmou.

Referindo-se ao material encomendado aos EUA, nomeadamente testes ao Covid 19, num total de 100 mil, e face às recentes restrições colocadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à saída desse tipo de material do país, Miguel Albuquerque disse no entanto crer que em breve chegarão à Madeira mais 10 mil testes ao Covid-19, pois o contrato, no valor total de um milhão e 200 mil euros para os 100 mil testes, terá sido celebrado pela Região com o fornecedor antes de Trump ter decretado tal embargo.

Por outro lado, o chefe do Executivo admitiu que as orientações futuras para a população poderão passar pela utilização massiva de máscaras, a serem distribuídas. Mas a nova estratégia para tal só deverá ser anunciada a partir do dia 13 ou 14 deste mês.