PCP denuncia “fraudes” no recurso ao “lay off” por parte de grandes empresas e dá a ECM como exemplo

O PCP denunciou hoje fraudes no recurso ao lay-off, dando como exemplo a Empresa de Cervejas da Madeira, que deverá avançar para este regime.

“A Empresa de Cervejas da Madeira, uma das grandes empresas sediadas na Região e com lucros desafogados, alega a necessidade de recorrer às verbas da Segurança Social para cumprir com as suas obrigações. Nas costas dos trabalhadores e do movimento sindical, surpreendentemente, a Empresa de Cervejas da Madeira revela um inaceitável aproveitamento oportunista do regime de lay-off”, acusam os comunistas.

Dando o exemplo da ECM, o PCP alerta para o recurso indiscriminado e arbitrário ao lay-off. “O que está a acontecer na Região Autónoma da Madeira por parte de grandes empresas e grandes grupos económicos são graves atropelos ao interesse público e, em muitos casos, práticas fraudulentas”, denuncia.

“Tal como o anunciou a Empresa de Cervejas da Madeira, outros como o Grupo Pestana, o maior grupo hoteleiro do País, a Ibersol que explora as lojas do Aeroporto da Madeira e do Porto Santo, a Groundforce, a TRIAM, a Portway, a ANA, são algumas das grandes empresas dos aeroportos da Madeira e do Porto Santo que estão a contactar os seus trabalhadores para anunciar que vão para lay-off. Para além do que toda esta situação comporta de ataque aos direitos dos trabalhadores, no que implica de corte significativo nos direitos remuneratórios de quem trabalha naquelas empresas, estaremos perante processos de prática oportunista do regime de lay-off”, considera o PCP, que afirma ser esta situação verdadeiramente “escandalosa”, pelo que implica de “usurpação de dinheiros públicos”.

“As grandes empresas, algumas delas multinacionais, que controlam a economia desta Região Autónoma estão a anunciar o recurso ao lay-off. A denúncia é que, sendo evidente a situação excepcional que levou à perda de rendimentos de muitas empresas, nem todas estão em risco de insolvência pelas quebras que se anteveem. Pelo contrário, estão em causa empresas muito lucrativas que deveriam sacrificar parte dos seus lucros para contrariar as tendências recessivas decorrentes desta situação de pandemia”, considera o PCP.

O mesmo se passa dizem, “com os grandes grupos hoteleiros, para além do Grupo Pestana, que ao longo dos últimos anos muito lucraram com a indesmentível expansão do crescimento do sector nesta Região. Depois de terem forçado o gozo de férias antecipadas e criado «bancos de horas negativas», o patronato da hotelaria anuncia ter recorrido ao lay-off simplificado. Esta situação é escandalosa, já que o sector viveu anos consecutivos de aumento de dormidas e receitas, como nunca antes acontecera”.

“Quer a Empresa de Cervejas da Madeira, como outros grandes empresários e outros grandes grupos económicos, pretendem o mesmo de sempre: acautelar os prejuízos da emergência sanitária e garantir lucros ainda maiores, aumentando a exploração dos trabalhadores e obtendo dinheiro da Segurança Social.”