Funchal pára, silencia-se e desertifica-se quase por completo depois das 19 horas

Depois das 19 horas, o Funchal praticamente fica deserto. A começar pelo centro da urbe, o movimento automóvel cessa quase por completo, os peões contam-se pelos dedos das mãos. Todos temos vistos paisagens urbanas que não pensávamos possíveis, dignas apenas de filmes em cenários apocalípticos.

As maiores metrópoles do mundo desertificam-se e a nossa cidade não escapa à regra. Aqui uma pessoa a fazer exercício, acolá outra a passear, uma outra que regressa do supermercado. O sentimento generalizado, como o Funchal Notícias já antecipadamente deu conta, é estranho e algo paradoxal. Por um lado, a satisfação por se verificar que a maioria dos cidadãos está a ser responsável, a cumprir as orientações de reduzir deslocações ao mínimo e respeitar a quarentena – se bem que durante o dia se vejam mais ajuntamentos e pessoas a passear e a ver montras, que, se calhar, fariam melhor em permanecer em casa.

Por outro lado, há uma certa sensação de insegurança nas ruas. O policiamento parece raro. É difícil divisar um agente da autoridade. Indivíduos bebem, juntam-se e traficam mesmo droga descaradamente com crescente à-vontade. Os cidadãos conversam e comentam, o FN ouve-os: “Está cheio disto, por aí. As autoridades não vêem nada?” Foi na Praça do Carmo que ouvimos e presenciámos isto. Ali onde se juntam habitualmente grupos de indivíduos sem-abrigo, os quais, claro, devem ser ajudados nesta altura. Mas também, e se calhar, fiscalizados.

Entre eles há quem não esteja simplesmente numa situação difícil, mas também quem seja desonesto e agressivo, com historial de roubos e agressões. Ao conhecimento do FN chegaram casos de pessoas nestas situações socialmente instáveis, que ultimamente têm dado que fazer a voluntários de algumas instituições como o CASA, que os auxiliam, a ponto de intimidarem funcionários. Não será nada de novo. A Polícia tem certamente muito que fazer nesta fase e os elogios aos agentes da autoridade, que estão na linha da frente e fazem cumprir as disposições do estado de emergência, não serão despropositados. Pode inclusive haver falta de meios humanos. Mas  a vigilância nas artérias do Funchal tem de continuar a ser assegurada. Se não nas casas das pessoas, por haver tanta gente dentro de portas, negócios há que já registaram a presença indesejada, ou pelo menos a tentativa de entrada, de “amigos do alheio”.

 

Entretanto, fica aqui um singelo registo fotográfico, entre o documental, o melancólico e o esperançoso, do FN. Aconselhamos todos a cumprirem o mais possível a quarentena, pela saúde de todos nós. E também a tomarem cuidado em eventuais deslocações nocturnas. Tudo, para já, está calmo. Mas convém ser prudente.