Médicos foram à Quinta Vigia mas saíram na mesma: não há novo director clínico à vista

Fotos: Rui Marote

Nada de novo surgiu da reunião hoje mantida entre médicos e presidente do Governo Regional, na Quinta Vigia. Em português vernáculo, continua tudo “em águas de bacalhau”, para usar uma expressão corrente. Os jornalistas nem chegaram a ver o chefe do Executivo, e só vislumbraram de passagem o secretário com a pasta da Saúde, Pedro Ramos, que entrou rapidamente. Terminado o encontro, Filomeno Paulo falou em nome da delegação que também incluía o recém-empossado presidente da Ordem dos Médicos na Madeira, Carlos Martins, para dizer que foram os clínicos quem solicitou a reunião, tendo o presidente do GR a amabilidade de os receber.

“Frente a frente, justificámos a razão de ser das nossas posições”, declarou, referindo-se ao facto de numerosos directores de serviço do Hospital não terem aceitado a nomeação de Mário Pereira para director clínico, indicada pelo CDS. Depois da explicação, “dialogámos sobre muitas coisas, sobre o Serviço de Saúde, e foi-nos dito que entraríamos agora numa fase de normalidade. O sr. secretário [Pedro Ramos] vai reunir connosco, e pressuponho que o Conselho de Administração [do SESARAM] também estará presente”.

Referindo-se à administradora Rafaela Fernandes, declarou que “é a ela que compete indicar um elemento” a Pedro Ramos. “Mas, objectivamente, nestas circunstâncias, é notório que o sr. secretário conhece bastante melhor o corpo clínico do SESARAM do que a dra. Rafaela, se bem que ela manifeste já algum conhecimento profundo que por vezes me surpreende”, disse Filomeno Paulo.

A consulta pública aos médicos, sugerida recentemente pelo bastonário da Ordem no Funchal para resolver este assunto, não foi discutida. Mas Filomeno Paulo mostrou-se convicto de que a mesma será feita “num quadro de auscultação”. No entanto, “uma eleição formal não está prevista, isso não existe em hospital nenhum no continente”.

Todavia, a nomeação “terá de ser consensual”, e que respeite os princípios “de ser alguém com perfil adequado, com trajecto, com currículo (…)”

Não foi avançada nenhuma data para a resolução do assunto, mas aos médicos esperam que o mesmo seja rapidamente resolvido, “até porque temos outros problemas prementes aí à porta”, avisou Filomeno Paulo. E, entre esses problemas, estará certamente, entre outros problemas, o do novo coronavírus.

Quando seria apropriado resolver este imbróglio, questionaram os jornalistas, avançando uma outra hipótese para o cargo de director clínico? A resposta não deixa margem para dúvidas: “Imediatamente. Logo que for possível”.

As demissões dos directores de serviço e chefes de departamento que as apresentaram ainda não foram retiradas, mas Filomeno Paulo “acredita que se vai caminhar para uma decisão nesse sentido”.

Referindo-se às escalas de serviço, referiu que as mesmas poderiam estar em risco se saíssem de determinados serviços e não fossem os demissionários substituídos em tempo útil. Essa responsabilidade ficaria então a cargo do director clínico. Que ainda não existe. Portanto, o caso arrasta-se.

A não existência de um director clínico, admitiu Filomeno Paulo, causa uma “fragilidade” no Serviço Regional de Saúde.

A indefinição, referiu, tem causado instabilidade não nos utentes, mas entre os médicos, inclusive os mais novos. Porém, “agora estamos numa rota de esperança”, concluiu o porta-voz.


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