IASAÚDE reage de forma tensa a hipótese colocada por Sara Cerdas acerca do coronavírus 

Luís Rocha (texto) e Rui Marote (fotos)

 

Um simples comentário da eurodeputada socialista Sara Cerdas durante uma visita de jornalistas madeirenses, ontem, ao Parlamento Europeu em Bruxelas espoletou uma tensa resposta por parte do IASAUDE. Sara Cerdas limitara-se a dizer, comentando o caso do coronavirus, que tanto quanto sabia tanto autoridades nacionais como regionais estavam num estado de “preparedness” para usar um termo britânico, ou seja, estavam preparadas e prontas e a partilhar informação. Referindo-se à hipótese de terem surgido eventualmente casos suspeitos da infecção por coronavírus que não tivessem sido reportados, mencionou que tinha visto ontem no debate na Assembleia Legislativa da Madeira ser levantado essa possibilidade de haver dois ou três casos suspeitos, mas que não foram divulgados.

“Estas questões têm que ser disseminadas pelas entidades competentes. O SESARAM tem a autoridade de saúde regional, mas tem sempre que reportar à autoridade de saúde nacional, neste caso na pessoa da Dra. Graça Freitas, a directora geral da Saúde. Eu não sei se não houve comunicação”, confessou, “mas se não houve, é grave (…), dado estarmos em âmbito de surto”.

Face a esta declaração, o comunicado do  IASAÚDE refere que “lamenta as declarações irresponsáveis proferidas pela Eurodeputada Sara Cerdas, que de uma forma perigosa mente e deturpa a verdade dos factos com o único objetivo de causar instabilidade e denegrir a imagem da Madeira e a credibilidade dos seus profissionais de saúde, que se reconhece serem devidamente habilitados e credenciados.

Sobre o assunto, recomenda-se a consulta do Microsite sobre o COVID-19 (http://apps.iasaude.pt/novocoronavirus2019/), onde constam o “Plano de Contingência para Infeções Emergentes: Novo Coronavírus 2019”, todas as circulares normativas e informativas, alertas e comunicados divulgados a propósito desta matéria.

Toda esta informação tem sido tornada pública e está disponível online, inclusive a partir da sede do Parlamento Europeu, em Bruxelas.

Recomenda-se ainda que a Eurodeputada, Sara Cerdas, médica, consulte os manuais de Medicina e as orientações da OMS, ECDC e DGS, as quais têm sido adaptadas à Região Autónoma da Madeira e cumpridas com muito rigor e responsabilidade, por parte dos decisores e dos profissionais de saúde.

E considerando que a Eurodeputada não terá conhecimento do comunicado divulgado ontem pelo IASAÚDE, disseminado inclusive através junto dos órgãos de comunicação social, reproduzimos na integra o seu teor:

– Não foram validados casos suspeitos de infeção por coronavírus (COVID-19) na Região Autónoma da Madeira (RAM), considerando os critérios definidos na Orientação da DGS n.º 002/2020, atualizada a 10/02/2020, adaptada à região através da Circular Normativa n.º 001/2020.

– Todos os contactos recebidos através da linha SRS24 (800 24 24 20) ou de outras fontes têm sido alvo de investigação pelas autoridades de saúde locais e regional, tendo sido realizado o necessário esclarecimento de dúvidas e aconselhamento.

– Não foram identificadas, na RAM, pessoas provenientes de zonas de elevado risco como a Província de Hubei, em particular a cidade de Wuhan.

– Todas as situações que, sem cumprir critérios de caso suspeito, ou seja, sem critérios clínicos, reportem uma viagem de, ou residência em outras zonas da China, nos últimos 14 dias, estão a ser acompanhadas e aconselhadas pelas autoridades de saúde locais.

– Este Instituto está em articulação e a acompanhar a situação e as recomendações das estruturas de referência nacionais e internacionais sobre este assunto, procedendo à sua divulgação sempre que pertinente”.