OCM assinalou aniversário com concerto onde o público quase fez a sala “rebentar pelas costuras”

foto facebook OCM

A Orquestra Clássica da Madeira celebrou hoje o seu aniversário com um grande concerto que fez a sala de congressos do Casino (antigo Cinecasino) “rebentar pelas costuras”, para ouvir a violinista japonesa Mayuko Kamio como solista no Concerto nº 1 para violino e orquestra em Ré maior, Op. 6, de Paganini. Um verdadeiro “tour de force” virtuosístico que antecedeu, na segunda parte, a Sinfonia nº 8 em Sol maior, Op. 88 de Dvorák. Foi um programa impactante e ambicioso, apropriado ao espírito de celebração desta ocasião, que marca 56 anos da instituição musical madeirense. Um concerto dirigido de forma vigorosa e entusiasmada pelo maestro convidado Evan-Alexis Christ. Tanto ele como a solista, músicos de grande currículo.

Presentes, muitas personalidades de destaque, entre as quais o representante da República, o presidente do Governo Regional e o secretário regional da Educação, Jorge Carvalho. Os dois últimos subiram ao palco antes do concerto, com Albuquerque a elogiar o trabalho da Orquestra e a deixar a promessa de iniciar, durante a actual legislatura, o processo conducente à criação na Madeira de uma sala polivalente de espectáculos que seja mais apropriada para albergar os concertos da OCM, inclusive do ponto de vista acústico. Foi aplaudido pelo público ao dizê-lo, quiçá de forma algo optimista. “Iniciar o processo na corrente legislatura” pode querer dizer muito pouco. Há décadas que se fala na necessidade de um novo auditório para espectáculos musicais no Funchal e, só para citar um exemplo similar, o Palácio de São Pedro, na urbe, que alberga o Museu de História Natural, ainda espera para ser reabilitado, num processo “inspirado no Museu de História Natural de Paris”, uma promessa eleitoral de Miguel Albuquerque ainda no tempo em que este se candidatava aos mandatos como edil da Câmara Municipal do Funchal.

De qualquer modo, o concerto foi inquestionavelmente muito bom e a Madeira tem sorte em ter uma orquestra deste nível, e poder contar com maestros e solistas convidados como os que lá estiveram. A ocasião era festiva e isso desculpa talvez algumas ocorrências durante o concerto. O público, definitivamente, não era inteiramente constituído por melómanos, já que se tornou óbvio no decorrer do mesmo que muitas pessoas aplaudiam quando não deviam (o que quer dizer que não sabiam quando deviam aplaudir), que se ouviram telemóveis a tocar entre a assistência e até o choro de bebés de colo em momentos em que o volume da música era suave, o que, viu-se, suscitou uma reacção instintiva no maestro. Também não se escapou às inevitáveis epidemias de tosse entre a assistência, que por vezes comprometem a fruição de alguns momentos de particular beleza musical. Mas enfim.

Entre o público via-se também o antigo presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, que em tempos classificou a Orquestra Clássica da Madeira como uma das suas “noivas caras”.

Bem, pode ser cara, mas proporciona momentos notáveis nos seus concertos, para uma terra tão ultraperiférica como a nossa. O actual modelo parece funcionar bem, operando a Orquestra com maestros convidados, de forma mais apelativa para os músicos, ao contrário de um único maestro-estrela com ego inflado. Pelo menos nota-se que os músicos aparentemente tocam com entrega e prazer.