Médicos formalizam demissão e deixam SESARAM “pressionado”, contactos de Pedro Ramos e Mário Pereira sem resultados práticos

 

Os diretores de serviço e coordenadores de unidade no Serviço Regional de Saúde, numa percentagem apontada de 66%, formalizaram hoje o pedido de demissão face à nomeação do médico Mário Pereira para a direção clínica, para a qual o médico do CDS já tomou posse. De nada serviram, pois, as tentativas, tanto por parte do secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, como do recém empossado diretor clínico, no sentido de disuadir aqueles profissionais, que manifestam o seu descontentamento relativamente ao processo governativo que conduziu a uma escolha política numa área técnica, considerando que Mário Pereira não tem perfil para o cargo.

Esta posição dos médicos resulta de um processo que muitos consideram “mal conduzido”, por parte do Governo de coligação PSD/CDS, sobretudo na componente que se relaciona com a estrutura de comando do SESARAM, sendo que as negociações passaram pela indicação do conselho de administração a cargo do PSD e pela escolha da direção clínica por parte do CDS, que avançou com um primeiro nome, Filomena Gonçalves, “vetado” pelos responsáveis de serviço, em reunião com a presidente do conselho de administração Rafaela Fernandes, criando tal incómodo que obrigou a médica a colocar um ponto final no assunto mostrando-se indisponível para aquele enxovalho público. Foi depois avançado um segundo nome, Mário Pereira, que também não reuniu consenso entre pares. Um crítico do SESARAM, enquanto oposição, uma figura alvo de contestação hospitalar interna.

Em função do diferendo, o Governo não abdicou da sua posição e fez uma espécie de “braço-de-ferro” com os médicos, ao ponto do presidente do Governo vir a público com uma mensagem muito concreta: quem não quiser, demita-se. Ora bem, foi isso mesmo o que os médicos fizeram, primeiro entregando a carta no conselho de administração, que ficou em modo pausa até que Pedro Ramos e Mário Pereira ouvissem, um a um, os críticos desta decisão. Mesmo assim, nada feito e os médicos, hoje, formalizaram essa demissão e já marcaram para a próxima segunda-feira, uma reunião nas instalações do Conselho Regional da Ordem dos Médicos, com a divulgação posterior de um comunicado.

Fonte ligada ao processo revela que o documento da demissão “está oficialmente entregue”, garantindo que “a demissão mantém-se sem qualquer tipo de cedência”. O FN sabe que Mário Pereira tem vindo a manter contactos com os descontentes, mas a mesma fonte faz questão de dizer que o novo diretor clínico tem feito uma campanha de desinformação, designadamente dando a entender que tem a maior parte dos diretores do seu lado, o que não corresponde à realidade.

Os médicos que apontam a contestação na direção de Mário Pereira estão conscientes das consequências que este ato demissionário poderá ter para o Serviço Regional de Saúde e, também, de forma especial e preocupante, para a área da formação médica. Os médicos têm essa consciência, mas remetem para os decisores essa responsabilidade, dizendo mesmo que quem deve ter isso em atenção é quem nomeou uma pessoa sem perfil e que os pares, na sua maioria, não aceitam”.

Recorde-se que, no âmbito deste processo, a Ordem dos Médicos emitiu um comunicado onde se mostra preocupada com a situação, alertando precisamente para eventuais problemas do ponto de vista da idoneidade formativa do SESARAM, o que em termos globais seria um problema para o próprio reconhecimento de qualidade que o Serviço Regional de Saúde pretende apresentar com enfoque nas pessoas. O Bastonário Miguel Guimarães tem prevista uma deslocação à Madeira para uma abordagem ao assunto.