O imbróglio que envolve os médicos do SESARAM, revoltados com a imposição de Mário Pereira como director clínico, está para dar e durar. O FN soube que os médicos foram entregar na segunda-feira um documento à administradora Rafaela Fernandes, no qual os integrantes de cada serviço se comprometem a não aceitar nomeações como directores de serviço. A recusa é, portanto, a de de substituir os directores de serviço demissionários, que, conforme foi oportunamente noticiado, assumiram por sua vez tal atitude em discordância com a posição assumida pelo Governo Regional, que avançou com a nomeação de Mário Pereira, contra a opinião de muitos, temerariamente sustentado por Miguel Albuquerque, com um “quem quiser que se demita”.
Na prática, o que os médicos estão a fazer é bloquear outras opções por parte do GR em termos de nomeações para substituir os directores de serviço descontentes. Não restam muitas opções ao Governo, que, se não consegue encontrar alternativas entre os médicos da Madeira, teria de ir ao continente contratar novos directores de serviço, com todas as implicações disso. E, se se chegasse a tal ponto, já numa autêntica situação de crise e “braço de ferro”, e o Governo de Albuquerque persistisse, a maioria dos médicos descontentes provavelmente viraria as costas ao hospital e seguiria apenas para a medicina privada.
O Funchal Notícias sabe que o secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, “apanhado” entre a espada e a parede, tem andado a reunir com os médicos demissionários, um a um, procurando persuadi-los a não levarem por diante o seu intento. Há 60 dias para deixar os cargos dentro dos prazos legais, cessando a comissão de serviço. São dois meses para tentar resolver a situação. Entretanto e pelo seu lado, Mário Pereira, na qualidade de director clínico, já está também a agendar reuniões com os médicos, procurando fazer valer os seus argumentos contra a contestação de que é alvo.
As palavras de Albuquerque, “quem quiser que se demita”, caíram muito mal no seio dos médicos, que se revoltaram contra uma imposição que consideram inaceitavelmente política. Entretanto, Pedro Ramos tem consciência de que a imagem da classe profissional a que também pertence está muito desgastada junto da opinião pública, e tem procurado convencer os demissionários a aceitarem Mário Pereira. Mas, no fundo, compreende o descontentamento. Afinal, a sua própria esposa, também ela médica, também não confia em Mário Pereira como director clínico.
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