UMa-CIERL realiza evento “(Des)memória de desastre” evocando a aluvião de 2010

Para assinalar uma década passada sobre os acontecimentos decorridos desde a aluvião de 20 de Fevereiro de 2010, o Centro de Investigação em Estudos Regionais e Locais da Universidade da Madeira (UMa-CIERL) realiza no próximo dia 19 do corrente, pelas 18h30, no auditório da Reitoria da Universidade da Madeira, o encontro (DES)MEMÓRIA DE DESASTRE. 10 ANOS APÓS O “20 DE FEVEREIRO DE 2010”.

O programa deste evento integra a apresentação do livro “(Dis)Memory of Disasters. A Multidisciplinary Approach”, com que o UMa-CIERL inaugura a colecção Life Memory & Culture, e a Conferência TRANSLOCAL de Sara Bonati, intitulada “Nas margens. Periferalidades nas áreas de risco”.

Segundo informa uma nota de imprensa, “em formato bilingue, o livro (Dis)Memory of Disasters. A Multidisciplinary Approach/ | (Des)Memória de Desastre. Uma Abordagem Multidisciplinar reúne um conjunto de textos que resultam de comunicações apresentadas em Outubro de 2013 no I Colóquio Internacional (Des)Memória de Desastre, promovido no Funchal pelo UMa-CIERL, em parceria com o Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da Universidade Católica Portuguesa (CECC-UCP), no âmbito do projecto DMDM – (Des)Memória de Desastre? Cultura e Perigos Naturais, Catástrofe e Resiliência. Madeira, um caso de estudo”.

O DMDM foi  um projecto desenvolvido por esses dois centros de investigação entre 2012 e 2014, ano em que foi suspenso por falta de apoio, circunstância que também inviabilizou  a publicação do livro que só agora será apresentado. Procurando discutir as implicações entre cultura, desastres (ditos) naturais, risco e resiliência, o DMDM contou com a colaboração interdisciplinar de investigadores de diversas áreas, assim como de vários artistas com vínculo à Madeira. Em 2012, o DMDM constituiu, assim, na Madeira, uma inusitada abordagem à problemática dos desastres, tendo então sido levantadas várias hipóteses de trabalho inovadoras, que em alguns casos, porém, ficaram a aguardar melhores condições para poderem ser desenvolvidas, prossegue o comunicado.

Sara Bonati, investigadora italiana do UMa-CIERL e membro da Comissão de Leitura da revista TRANSLOCAL. Culturas Contemporâneas Locais e Urbanas (editada em parceria pelo UMa-CIERL e a CMF), integrou a equipa do DMDM, tendo vindo, nos últimos anos, a desenvolver algumas das hipóteses de trabalho que a análise do caso Madeira (caso que, em comparação com o caso da região italiana de Cinque Terre, tomou como objecto de estudo na sua tese de doutoramento defendida na Universidade de Pádua em 2014) lhe começou por suscitar.

A conferência “Nas Margens. Periferalidades nas áreas de risco” que Sara Bonati conduzirá no Funchal logo após a apresentação do livro (Dis)Memory of Disasters. A Multidisciplinary Approach (de que é também co-editora, juntamente com Ana Salgueiro, Duarte Encarnação, Filipa Fernandes, Ilídio Sousa e Fábia Camacho Sousa), parte de alguns casos de estudo por ela investigados nos últimos anos, com o propósito de “analisar formas de periferalização que podem ocorrer em áreas de risco” e que, sendo muitas vezes “alimentadas por mecanismos para o desenvolvimento territorial e urbano”,  “podem afectar as medidas de redução de risco”, agravando a “vulnerabilidade dos territórios”.

Em alinhamento teórico-conceptual e metodológico, quer a edição do livro (Dis)Memory of Disasters. A Multidisciplinary Approach, quer a conferência “Nas Margens. Periferalidades nas áreas de risco” de Sara Bonati procuram chamar a atenção para o relevante contributo que investigação nas áreas das Humanidades, das Ciências Sociais e das Artes podem constituir ora para o estudo dos fenómenos de desastre, ora para a concepção de mais resilientes respostas ao risco de desastre.

“Decorridos 10 anos desde a aluvião de 20 de Fevereiro de 2010, será oportuno interrogarmo-nos, na Madeira, sobre esses contributos e sobre o modo como local e regionalmente, a Academia, as instituições públicas e privadas ou as próprias comunidades têm olhado e acolhido os resultados obtidos através dessas novas abordagens”, conclui-se.