Marginal da Avenida do Mar transformada na Sandaga de Dakar

Rui Marote

Já se tornou normal, no primeiro dia do ano, a Avenida do Mar transformar-se numa espécie de mercado tradicional africano, tipo a Sandaga de Dakar.

As belas montras estendem-se desde a rampa de entrada na Marina até à Praça do Povo, ao longo do muro que separa o passeio e a marina. Situa-se na área da Administração de Portos, mesmo na fronteira, uma vez que o passeio pertence ao município do Funchal.

Ali se encontram roupas, pinturas, artesanato, óculos, relógios, e muitas outras bugigangas, principalmente para mulheres, não faltando nem sequer os expositores tipo barraquinhas e até enfeites para o cabelo.

O movimento dos transeuntes chega a paralisar este passeio. Se a moda pega, vamos ter esta feira africana em dias festivos, com o mar em cenário de fundo. Só faltam os coqueiros na marina e nos jardins as palmeiras. No meio dos feirantes africanos e não só proliferam alguns europeus à boleia.

Muito se fala na forma como o turismo dos cruzeiros beneficia o comércio local. Mas, com actividades deste calibre a aguardá-los na porta de entrada da cidade, é caso para dizer como defendia Khadafi, que a Madeira pertence a África.

A presidente da APRAM, Paula Cabaço, poderia, quem sabe, taxar a utilização do espaço, e sempre obtinha mais uma verba para os cofres da organização. De notar que ao longo desta feira não havia uma única peça de artesanato madeirense. O FN alerta quem de direito: será que estes comerciantes estão devidamente legalizados? Fica a questão.