Eduardo Welsh apresenta exposição “Percurso” na Galeria de Arte Francisco Franco

Eduardo Welsh apresenta amanhã, quarta-feira, dia 4 de Dezembro, na galeria de arte Francisco Franco, no estabelecimento de ensino da Rua João de Deus, uma exposição de artes plásticas de sua autoria, intitulada “Percurso”.  A mostra será inaugurada pelas 17h30.

Welsh foi o desenhador e cartoonista do jornal satírico “Garajau”, no qual, através das suas criações gráficas, criticou e escarneceu de forma impiedosa uma sociedade madeirense dominada pela “máquina” dos governos de Jardim.

Esta exposição, no entanto, insere-se numa outra esfera da sua criatividade, bem mais pacífica e menos política.

O próprio descreve-nos o seu intuito: “Tendo ultrapassado os 50 anos de idade, cheguei a uma fase em que penso ter de assentar e trabalhar em projetos idealizados mas ainda por concretizar. Assim, decidi organizar uma Exposição a partir de uma coleção de trabalhos realizados ao longo dos anos, mas que ainda não tinha tido a oportunidade de expor publicamente.

PERCURSO (ou LIFE JOURNEY) surgiu como um título não só porque os trabalhos pertencem a várias décadas, mas também porque muitos deles foram feitos em locais onde passei algum tempo. Este não é, no entanto, um percurso apenas no sentido físico de uma viagem, mas também ao nível da relação mais profunda que toca ao contacto e interação com pessoas e cultura/s e do modo como isso altera e abre a perceção/ compreensão.

Este é, também, um percurso de experiência e de ativismo: da preocupação com a mudança e sobrevivência cultural; da preocupação ecológica de como as culturas transformam a paisagem; da dimensão política das culturas e de como os povos podem ter o poder e a liberdade de preservar as suas culturas e meio ambiente. Estes são alguns aspetos transversais a diferentes áreas das minhas atividades –  desde o estudo da História de Arte, à política local, e ao ativismo de direitos humanos relacionados com o direito à autodeterminação dos povos.

Estas preocupações estão presentes nas minhas pinturas com tinta-da-china, realizadas enquanto investigava arte Chinesa da década de oitenta na Academia Chinesa de Arte, para a minha tese de doutoramento, como também estão ainda mais salientes nos meus cartoons para o Edinburgh Student Newspaper e no livro de cartoons Odisseia à Arte Chinesa 2000. Mas acredito que estes desassossegos permeiam todo o meu trabalho, embora talvez de uma maneira mais dissimulada. Gosto de pensar que os meus desenhos de uma linha (“One-line drawings”) também se nutrem da longa tradição da relação entre a representação e o conhecimento e subvertem-na. Os desenhos não delineiam objetos isolados duma maneira racional e objetiva, mas, seguindo a intersecção/ o cruzamento de quaisquer linhas e objetos, de forma quase arbitrária ou instintiva… um prédio, uma folha, uma figura, sem respeitar o contorno e distinção entre cada objeto, criando um padrão caótico entre o natural e o artificial – recriando o emaranhado cultural humano de diferentes contextos geográficos”.

Eduardo Welsh estudou e investigou na Academia Nacional de Belas Artes, Hangzhou, sediada na Faculdade de Pintura Tradicional Chinesa, na qual também aprendeu a respetiva técnica.