CDU critica precariedade laboral na hotelaria no “Melhor Destino Insular do Mundo”

A CDU virou hoje as suas atenções para o sector hoteleiro, na ilha dita “Melhor Destino Insular” do mundo. Os comunistas empreenderam uma acção para denunciar a utilização abusiva de trabalhadores com vínculos precários para desempenhar funções permanentes no sector da hotelaria. De acordo com Ricardo Lume, citando “dados oficiais e notícias sensacionalistas”, os últimos anos “foram dos melhores de sempre para o Sector da Hotelaria na Região, tanto a nível de ocupação, como no que diz respeito ao rendimento por quarto”. Pelo menos é esse o discurso oficial. Ora, seria de esperar que as condições de trabalho no sector estivessem a melhorar, mas a realidade afigura-se bem diferente. “Vivemos numa região onde o lucro dos empresários do sector hoteleiro aumenta, mas a estabilidade laboral diminui”, denunciou.

De acordo com este responsável político, há grupos hoteleiros que estão a recorrer a empresas de prestação de serviços, para preencher lugares desde recepcionistas a governantas, passando pelas empregadas de quartos, empregados de bar, ou mesmo cozinheiros.

“Em alguns casos os trabalhadores são contactados para trabalhar com menos de 24 horas, vivem na incerteza se no dia seguinte têm trabalho, em que unidade hoteleira vão trabalhar e qual o seu horário, por vezes passam semanas e meses à espera do SMS ou da ligação telefónica que nunca chega. Os contractos de trabalho com duração de um dia ou à hora são práticas recorrentes nestas empresas”, afirma Ricardo Lume.

“Neste sector as trabalhadoras das empresas de prestação de serviços nomeadamente as que fazem a limpeza dos quartos auferem salários inferiores às trabalhadoras dos quadros do Hotel, uma diferença salarial na ordem dos 158€”, apontou.

“Recentemente a Madeira recebeu pela 5ª vez o galardão de melhor destino insular do Mundo. Este galardão muito se deve ao profissionalismo dos trabalhadores do sector, que muitas vezes não vêem no seu salário o reconhecimento do seu trabalho, nem lhes é garantida a segurança laboral necessária para garantir a estabilidade na vida e a estabilidade na família”, criticou, por outro lado. 

A CDU defende que a cada necessidade de trabalho permanente deve corresponder a um vínculo laboral efectivo e diz que os trabalhadores da Região podem contar com a CDU na defesa desta justa reivindicação e na garantia de mobilizar meios e vontades para acabar com o flagelo da precariedade laboral.