Socialistas e social-democratas acusam-se mutuamente de falsas promessas

O debate do programa do Governo Regional no parlamento foi hoje um belo exercício da arte da retórica. Respostas concretas a perguntas colocadas, poucas ou quase nenhumas, aliás uma das principais acusações que o PS teceu a Albuquerque. Mas, da parte do CDS, nomeadamente de Lopes da Fonseca, a oposição foi aconselhada a fazer “uma análise hermenêutica”, à moda do filósofo Heidegger, do documento, que, garantiu, é de grande profundidade e uma hora depois de se iniciar a discussão do mesmo no parlamento, já estava a ser desclassificado pelos socialistas como não contendo nada de novo. Acusações que também encontraram eco nas palavras de Élvio Sousa, do JPP, com muita ironia à mistura, deixando dúvidas sobre a estabilidade da coligação, ao referir que “tudo o que é sólido dissolve-se no ar”.

Sem ter respondido efectivamente a Paulo Cafôfo, e pressionado, Albuquerque acabaria por responder a Miguel Iglésias sobre uma questão: “Não há nenhuma carta a rescindir o contrato do ferry para o próximo ano. O que há é uma carta do actual operador a perguntar se a promessa do actual Primeiro-Ministro será cumprida. O que o operador quer saber é se a operação é a partir de Janeiro e em que situação é que ele fica”, disse o presidente. E Iglésias não tardou em partilhar na sua página no facebook: “Acabámos de ter a confirmação tácita: o Governo Regional anda a 2 meses a mentir aos madeirenses. O contrato de ferry para 2020 foi rescindido, e não tiveram a honestidade de o anunciar!!”

Fuzilado por Iglésias sobre os atentados ambientais às ribeiras da Madeira na extracção de inertes, extensamente reportadas pelo DN-Madeira, o chefe do Governo Regional acabaria por reagir garantindo que esta Região é, das do país, as que têm mais áreas protegidas, e voltando a repetir que os infractores sofrerão as devidas penalizações.

O PS não saiu incólume do debate, já que sofreu múltiplos ataques do PSD, sobre as promessas que também fizeram, em período eleitoral, e que se saldaram por insucessos. Albuquerque disse que António Costa foi “enganado” pelo PS-Madeira, que lhe fez crer que o PSD estava em fim de ciclo e que estava tudo ganho: mas o 3 em três – vitória nas europeias, nas regionais e nas nacionais acabou por saldar-se por um rotundo fracasso, constatou. De tal forma que não acredita que Costa continue a ter como interlocutores Cafôfo e Iglésias, insinuou. Jaime Filipe Ramos e Carlos Rodrigues apontaram baterias aos socialistas e foram acusados de promessas ocas em áreas que vão desde os transportes ao mar e infraestruturas marítimas, e à saúde.

O debate continua na parte da tarde.