
A exoneração do Major-General Carlos Perestrelo, que desempenhava funções de Comandante Operacional da Madeira, na sequência de notícias dando conta da utilização, por parte de civis, de material militar em torneios de golfe, está a provocar uma onda de descontentamento na instituição militar. Entretanto, já se deu a substituição e foi nomeado o Contra-Almirante Dores Aresta, sendo esta a primeira vez que o Comando da Madeira tem um oficial da Marinha na liderança.
De facto, são várias as reações dando conta do desconforto relativamente a esta decisão do CEMGFA, sendo que das opiniões registadas ressalta a do general de 3 estrelas António Menezes, considerando que “por cada ato desmesurado morremos um pouco como Instituição”, sublinhando ainda que “a «exoneração dum Comandante Militar fere a confiança e credibilidade e feita na praça pública pode ter valor mediático mas em vez de credibilizar a autoridade fere de morte a disciplina”.
Escreve na sua página da rede social Facebook, já partilhada por várias figuras militares e políticas, que “Já vi civis em viaturas militares, ministros a receberem blusões nominais e boinas de especialidade, paraquedistas em festas concelhias, Reprise em eventos equestres civis, demonstraçoes cinotécnicas, militares em escolas, material militar em feiras e eventos desportivos, todos eles autorizados pelo chefe do Ramo, com ou sem protocolo, e sempre imbuídos do espírito de proximidade e divulgação civil militar”.
E continua: “Vi e revi o video e não consegui ver mais que uma seção de artilharia comandada e guarnecida por militares uniformizados e motivados a “batizar” um torneio de golfe (organizado em parceria com o Clube do Golfe do Exército). A atividade foi certamente determinada pelo Comandante e o efeito pretendido foi atingido, resultando ” bom nome e reconhecimento” pela instituição militar”.
O General acentua que “o Almirante CEMGFA viu desobediência e de tal gravidade que decidiu humilhar, apoucar um General seu subordinado, numa data marcante para o Exército e para uma Zona Militar. Ficamos hoje a saber, no dia do Exército, que qualquer atividade de divulgação de atividades militares, mesmo que devidamente enquadradas ( uma secção de obus comandada e guarnecida, um Clarim a tocar a solipanta), utilizando meios de honras e protocolo (o obus não tem utilização operacional) em eventos com entidades civis tem de ser autorizado pelo CEMGFA”.
Aponta que sempre detestou Sempre “despotismo”, acrecsentando que “este acto revela um inusitado tratamento a um oficial em funções de Comando numa região autónoma de elevada sensibilidade, bem quisto e competente, sem concluir o processo de averiguações pelo Exército. Como só escuto silêncio confrangedor e muito pouco de apoio e solidariedade, na minha reserva, revolto-me perante um ato despótico que enlameia a carreira brilhante do meu Camarada Major General Carlos Perestelo e em nada reforça a desejada coesão e muito menos o respeito e disciplina institucional.
Tenho vergonha alheia por decisões mediáticas e despóticas”.
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