José Manuel Rodrigues cita Jardim: “A Madeira será o que os madeirenses quiserem”

Fotos: Rui Marote

José Manuel Rodrigues considerou hoje que se assiste a “um momento histórico”. Pela primeira vez, em 43 anos de autonomia, a maioria parlamentar é composta por dois grupos parlamentares, e o Governo Regional integra representantes de dois partidos, naquilo que considerou um “novo ciclo político” na Região. Na sessão da ALRAM que hoje empossou o novo Executivo, o centrista, que agora se estreia na presidência do parlamento regional, considerou que esta foi a escolha dos madeirenses e afirmou que assim a democracia está a funcionar na sua plenitude.

Rodrigues, que para o final do seu discurso citaria Alberto João Jardim, ausente desta sessão, para dizer que “a Madeira será o que os madeirenses quiserem”, felicitou PSD e CDS “pela forma séria e rápida como se entenderam na base de compromissos e ideias programáticas para a nossa Região”, algo que transpira “maturidade democrática”.

Congratulando-se por o número de cidadãos abstencionistas ter diminuído nas últimas eleições legislativas regionais, o orador considerou que o parlamento será agora certamente “o epicentro do debate político”.

“A partir de hoje este governo não é de dois partidos, não é do PSD, não é do CDS. A partir de agora, este é o governo de um só partido, o partido da Madeira”, declarou. “É isso que exige o interesse regional”, e que demandam as populações, opinou.

Citou Sá Carneiro para sublinhar que a evolução e a consolidação da Autonomia eram necessárias à unidade nacional. Por outro lado, Freitas do Amaral reconhecia que as autonomias “eram a melhor forma de construir Portugal no Atlântico”.

“Nunca como agora estas palavras fizeram tanto sentido”, considerou, “quando assistimos a comportamentos absolutamente centralistas, a atitudes de passividade perante a resolução de problemas regionais que são tarefa do Estado”, denunciou, acrescentando que “se viola, sem qualquer tipo de pudor, o nosso Estatuto Político-Administrativo por via de leis ordinárias”.

Assumindo a ALRAM como “o baluarte da nossa autonomia e a força da nossa democracia”, José Manuel Rodrigues mostrou-se certo de que nesta legislatura os poderes regionais serão ampliados, sendo uma prioridade a “luta por mais autonomia” através da revisão da Constituição da República e do Estatuto Político. Estas reivindicações, garantiu, não são incompatíveis com a necessidade de normalizar as relações entre a República e a RAM.

Porém, disse, “os madeirenses exigem do Governo central o cumprimento dos seus direitos, bem como o que lhes foi prometido nas sucessivas campanhas eleitorais por quem vai agora formar governo na República”. Nesse sentido, desejou que haja uma negociação “profícua” entre os poderes regional e nacional.

Dirigindo-se a Miguel Albuquerque, e deixando claro não pretender ingerências do poder legislativo no poder executivo, pediu-lhe contudo a atenção das suas políticas para três grandes problemas estruturais, que identificou. Em primeiro lugar, o problema da demografia, com o contínuo decréscimo da natalidade e o índice de envelhecimento. “Estima-se que dentro de 50 anos a Madeira seja a Região menos populosa do país”, um grave problema que exige apoios à família, à juventude e novas respostas dos sectores da Segurança Social e da Saúde.

Em segundo lugar, citou os preocupantes níveis de violência sobre as mulheres, os maus tratos sobre os mais velhos e o abandono de muitos idosos, que exige “de todos nós uma outra atitude”, com respostas eficazes e uma solidariedade mais activa para com os mais vulneráveis.

Finalmente, em terceiro lugar, referiu uma baixa qualificação dos nossos recursos humanos, causa da falta de produtividade e competitividade da economia e factor de exclusão e desigualdades. “A principal desigualdade social é a desigualdade de conhecimento. É essa falta de formação que potencia as diferenças sociais, o risco de pobreza e a exclusão”, pelo que defendeu uma renovada aposta na educação e formação profissional, e uma mais justa repartição dos rendimentos, para fixar os jovens na RAM.

Desejando “as maiores venturas a Albuquerque”, José Manuel Rodrigues defendeu a aproximação dos políticos aos cidadãos. “Precisamos (…) de encontrar os mecanismos para uma participação frequente e mais activa dos cidadãos na tomada de decisões que lhes digam respeito”, acentuou, pedindo aos titulares de cargos políticos “humildade e responsabilidade”.

Endereçou ainda uma saudação especial às comunidades madeirenses pelo mundo fora.