Albuquerque garante Serviço de Saúde de qualidade mas alerta para a sustentabilidade financeira

Albuquwerque congresso de urologia
Albuquerque revelou que a Região tem a mais baixa taxa de mortalidade infantil do País e aponta números dos custos da Saúde, 143 milhões em medicamentos, na Legislatura, e 420 milhões só este ano em todo o setor.

O presidente do Governo Regional foi hoje à abertura do Congresso de Urologia, que decorre no Funchal até 29 de setembro, reafirmar a qualidade do Serviço Regional de Saúde, referindo que se tratou de “uma das mais principais conquistas da Autonomia política”.

Miguel Albuquerque lembra que a Madeira vivia, antes do 25 de abril de 74, numa situação em que havia falta de cuidados médicos, pelo que o desenvolvimento do SESARAM “foi uma benção na qualidade de vida dos madeirenses e portosantenses. E hoje, temos de reconhecer que o Serviço Regional de Saúde deve continuar a ser apoiado. E todos aqueles que contribuíram para o desenvolvimento público da Saúde estão de parabéns. Às vezes, vivemos num tempo tão acelerado que temos dificuldade em fazer um exame crítico relativamente aquelas que foram as melhorias substanciais da nossa população”.

Albuquerque diz que “o progresso é extraordinário” atribuindo “à vontade política” e “à proximidade”, apontando que o principal desafio é a sustentabilidade financeira do sistema, no presente e no futuro. É um desafio difícil, que exige grande determinação atendendo aos custos cada vez mais elevados dos sistemas públicos. E se não tivermos a determinação para alocar recursos aos sistemas públicos de saúde, iremos ter discriminação entre os que têm meios financeiros e os que não têm. Investimos, este ano, 420 milhões de euros na Saúde e as exigências são cada vez maiores”.

O presidente do Executivo diz que a Madeira precisa de mais médicos, lembrando números que dão conta da contratação 296 médicos, 410 enfermeiros e 373 assistentes operacionais. E temos uma cobertura excecional de 47 centros de saúde, 16 dos quais sofreram obras de requalificação”.

Relativamente aos médicos de família, Albuquerque prometeu “um esforço no sentido de tornar a cobertura na Região a cem por cento”, apontando a construção do novo hospital como a grande aposta de futuro. “A nossa ideia é ter um hospital devidamente apetrechado para prestar  bons cuidados de saúde à população”.

Lançou, também mais três dados que, em sua opinião, expressam o trabalho feito pelo Serviço Regional de Saúde. A Madeira registou, em 2018, a mais baixa taxa de mortalidade infantil do País. Nos medicamentos, em Legislatura, a Região gastou 143 milhões de euros. Em medicamentos inovadores, os valores ascenderam a 30 milhões de euros.

No que diz respeito ao congresso prpriamente dito, que se desenvolverá nos próximos dias, contempla um programa científico aliciante e conta com a presença de ilustres convidados de renome nacional e internacional, prevendo-se a participação de mais de 250 profissionais.

Os trabalhos iniciaram-se hoje com o curso pré-congresso de ressonância magnética multiparamétrica (RM-mp) da próstata, biópsia prostática de fusão e terapêutica focal.

Amanhã, 28 de setembro, o programa arranca com o curso sobre os aspetos práticos da imuno-oncologia em Urologia.

Entre os temas que serão abordados nas várias mesas-redondas e conferências, salientam-se as particularidades de algumas doenças urológicas em África, que serão discutidas no Simpósio da Associação Lusófona de Urologia, bem como as novidades na doença oncológica avançada, as disfunções miccionais femininas e masculinas, as infecções do século XXI, o papel central do urologista no transplante renal e as inovações cirúrgicas para a litíase renal; e o diagnóstico molecular na prática clínica do urologista.

Na sessão de andrologia e medicina sexual, serão discutidos os efeitos laterais das terapêuticas oncológicas, que podem causar problemas como a infertilidade, a disfunção erétil ou a ejaculação prematura.

No último dia do Congresso, domingo, o programa contempla uma mesa-redonda dedicada às novidades no âmbito da endourologia e outra sobre os diversos desafios da cirurgia radical.

Esta reunião magna da urologia já não se realizava na RAM desde 1991.