Uma história de lágrimas e gratidão: quadrigémeos vencem na universidade porque a solidariedade falou mais alto

Os quadrigémeos com a mãe.

Em 2015, a história relatada pelo FN dos quadrigémeos madeirenses tocou muita gente. Nélia Alves, a mãe coragem, deu a cara ao mundo e falou ao coração das pessoas solidárias. Tinha 4 filhos para entrar, ao mesmo tempo, na universidade, mas não tinha como pagar esses estudos. Ela viúva, com trabalho sazonal como guia de turismo, e muitas contas por pagar com 4 candidatos, em simultâneo, ao ensino superior.

Nélia Alves bateu às portas e encontrou generosidade, daí a sua gratidão.

Mas Nélia Alves moveu montanhas e uma onda de generosidade deu “o passaporte” a esta família para a entrada no ensino superior. Alguns gracejaram deste SOS de ajuda (são tantas as histórias de burla que por aí andam…) e até acharam que talvez se tratasse de alimentar a subsidiodependência. Outros colaboraram imediatamente. E ainda outros reservaram-se ao ceticismo.

Os anos passaram e é tempo de fazer contas. Que é feito destes jovens e dos seus estudos, custeados por empresários e instituições generosos, assim como por particulares samaritanos? Os factos são estes: o João e o Diogo já concluíram a licenciatura e efetuam o mestrado na áera do desporto. A Beatriz já é fisioterapeuta. O Nuno inicia o quinto ano de medicina. E para a frente é o caminho, já que, quem quer, tem poder.

A convite do FN, reproduzimos o testemunho atual de Nélia Alves.

Os jovens com a mãe na tradicional festa de finalistas do 12.º ano.

“A situação atual é de gratidão por todos os que acreditaram que uma mulher viúva poderia lutar pelo futuro dos seus filhos. Eles são super-empenhados e responsáveis e aproveitaram a oportunidade ao máximo. Estou muito orgulhosa do percurso deles e dentro de um a dois anos confio que a situação académica estará na fase final.

Neste momento, o João e o Diogo ingressam no segundo ano de mestrado em Desporto. Aproxima-se, dentro de meses, a fase de encontrar emprego nas suas áreas. Por ora, fazem os estágios curriculares e o Diogo continua o seu trabalho de voluntariado na Cruz Vermelha.

A Beatriz é fisioterapeuta e termina um programa de estágio para ingressar em especialização na sua área,  via mestrado.

O Nuno inicia o quinto ano de medicina com excelente desempenho fruto de muito trabalho, dedicação e empenho.

Cada um na sua área empenharam-se e trabalharam muito pelo que sempre tiveram aproveitamento e nunca ficou uma disciplina por fazer. A Beatriz e o Nuno regressam a Lisboa já esta semana para dar continuidade aos seus estudos.

Esta fase é a de entrega de documentação para renovação de bolsas o que é sempre, para todos os jovens e pais, uma época de incerteza, dificuldade e de colocar em prática a fé no futuro. É um exercício que exige muito de todos mas incontornável.

Continuo a ser contactada por desconhecidos que se inspiram na minha luta e tentam que os seus tenham bases para uma vida produtiva nas suas áreas de estudo. Têm sido quatro anos de aventura e emoções que colocam o coração e alma de qualquer mãe ou pai em permanente sobressalto mas que têm sido aproveitados ao máximo.

Os meus quadrigémeos dão o seu melhor e tentam a cada dia ser mais qualificados. Vejo que se importam e gostam das suas áreas. Admiro a vontade de aprender, a entrega e o trabalho que fazem para marcar pela diferença. Estou grata, e com fé que tudo corra pelo melhor, nesta fase final.

A minha mensagem é de gratidão e incentivo a todos que neste momento lutam para que os seus tenham formação académica. O melhor legado que podemos dar aos nossos filhos é a educação e a formação que considero o instrumento para que possam lutar pelo seu futuro”.