“Guerra” de moradores no edifício Várzea Park, associação acusada de “travar” trabalho da empresa de condomínio

Várzea edificioA revolta instalou-se entre os moradores do edifício Várzea Park, no Caminho do Amparo, em São Martinho. Uma Associação de Moradores, recentemente criada, “está a travar o trabalho da empresa de condomínio eleita para gerir o edifício”, segundo acusam alguns dos residentes, que fizeram chegar esse descontentamento ao Funchal Notícias.

Primeiro, o processo de criação “não foi o mais correto”, dizem, apontando que “depois da reunião que supostamente criou a associação, andaram de porta em porta a recolher assinaturas em virtude de, nessa reunião, não ter havido quorum”.

João Miguel Mendonça é o rosto dessa “revolta”, diz mesmo que a associação “é composta por algumas pessoas que nada fizeram pelo prédio, alguns mesmo com dívidas ao condomínio, sem preocupação pelos reais problemas do edifício. Houve um trabalho de recuperação de dívidas, estamos a equilibrar as contas, mas assim fica mais difícil”.

Conta que “este condomínio foi enganado em centenas de milhares de euros pelo antigo Administrador, com irregularidades em atas, pois não lia no final das reuniões e pela base da confiança que os condóminos depositavam nele iam assinar a mesma ao escritório dessa mesma Administração. Entre estas situações, como é do conhecimento de todos nós, estão materiais introduzidos nos elevadores que colocavam em risco os moradores que utilizam os mesmos, desaparecimento das tintas (ganhas por via judicial contra o construtor) e de andaimes que pertenciam ao prédio para as referidas pinturas, que deveriam ter sido feitas durante os 10 primeiros anos pelo construtor e promotor da obra, e que acabou abrindo insolvência”.

E é neste contexto de recuperação de gestão financeira e de entrada de uma nova empresa de condomínio que os moradores apontam o dedo à entretanto constituída associação de moradores, que “atualmente está a impedir pagamentos referentes a despesas de material, a impedir o avanço das obras programadas e deliberadas em reunião anterior com a administração do condomínio, a impedir o arranjar da solução da casa do lixo situada na Rua da Bolívia, tais como a aquisição de novos contentores a fim de incentivar a uma melhor separação do lixo por parte dos condóminos, a impedir a aquisição do material com o fim de solucionar problemas de infiltração de agua nas arrecadações e garagem nos Blocos C1, C2 e C3 “.

João Miguel Mendonça diz que, por tudo isto, constitui um travão “à continuidade do que tem sido feito a nível de obras e pagamentos de dívidas anteriormente causadas pelos anteriores administradores deste condomínio, que a atual resolveu e que colocou as contas do prédio que estava completamente na bancarrota e à beira da insolvência prejudicando todos os condóminos que se esforçam para ter as suas contas em dia”.

Com esta atitude da Associação, diz, “podemos ver que os seus responsáveis pretendem criar conflitos entre os moradores e que tentam zelar por este espaço que é de todos nós, assim como entre os moradores e a atual Administração do Condomínio”.

Este grupo de moradores, através do porta voz, propõe que “tudo isto seja tratado e resolvido como tem sido até agora. Ou seja, entre os moradores e a Administração em reuniões, acabando assim com intromissões de pessoas que apenas olham o seu umbigo em vez de tudo isto ser tratado como uma família. Tudo isto é nosso e não de uma Associação de Moradores que pretende destruir tudo”.