Discurso direto – Clima: um desígnio regional

 

CDS PP Madeira Autárquicas 2017

POR RUI BARRETO

“Não me conformo com o desperdício de água na minha terra. Três décadas depois de um percurso de desenvolvimento que nos trouxe para níveis de vida com qualidade. Muitos anos depois de a União Europeia nos ter ajudado nesse progresso, concedendo-nos ajudas financeiras de grande monta.

Ao cabo de uma temporada de anos com alertas, todos os dias, para os impactos negativos das alterações climáticas, não concebo, e até acho uma enorme irresponsabilidade, que a Região não tenha feito um investimento focado no combate a este fenómeno que põe em causa a nossa própria sobrevivência. Não há qualidade de vida sem qualidade ambiental. Sem respeito pelo clima. Sem práticas de vida equilibradas.

Não me resigno quando vou até à Praia da Laje, na freguesia do Seixal, e vejo, desde há anos e 24 horas por dia, 400 litros de água por segundo serem jorrados no mar, quando há agricultores sem água para a agricultura.

O clima, a água, a biodiversidade e a ecologia são, para mim, o assunto que reputo da maior relevância para a Humanidade e, quiçá, aquele que tem, obrigatoriamente, de servir para unir todos. Ninguém poderá ficar de fora deste combate. Todas as forças políticas, investigadores, cientistas, técnicos e associações devem colocar o foco na procura de soluções que ajudem a reduzir os impactos do aquecimento global na Região.

Regionais 2019

Sou pai de três crianças. Sinto um enorme desconforto por saber que daqui a 30 anos os meus filhos, ainda jovens, terão de suportar temperaturas asfixiantes, um ar irrespirável e tempestades torrenciais. Que reconhecerão algumas espécies e zonas do planeta apenas pela fotografia. E que eu, acabado de entrar no Inverno da vida, só tenha a memória visual dos lugares que conheci e que foram consumidos pelo desleixo humano.

Aqui, no CDS, partido que lidero, o clima e o ambiente têm sido tratados como um desígnio regional. Com poucas palavras e muitos atos. Foi uma proposta do CDS que criou o Observatório da Paisagem. Fomos o único partido a promover, no Parlamento, um debate potestativo, obrigatório, sobre o impacto das alterações climáticas na Região. Foi por proposta do CDS que a Câmara do Funchal criou o Cartão Eco. Em 2014, levamos ao plenário da Assembleia o Estatuto da Agricultura Familiar que o PSD chumbou. Os programas de governo do CDS, de 2015 e 2019, dedicam um capítulo ao ambiente, clima e paisagem. Já neste mês de setembro desenvolvemos diversas ações, entre as quais a “Happy Hour Ambiente”. Temos feito o nosso trabalho de casa.

Temos feito o nosso trabalho de casa. Mas não me conformo enquanto não formos capazes de acabar com o desperdício. De produzir menos lixo e acabar com o plástico. De mudar de atitude perante a paisagem. De despoluir o mar. De sermos capazes de desfrutar sem estragar.”


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