Idalino quer Porto Santo para todos, diz que alguns jovens “deixaram a educação e o civismo no mar da Travessa” e sugere a BIR nas duas semanas mais procuradas

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“Não é opção afastar a juventude. Devem existir eventos para a juventude, no entanto, iremos ponderar com a Câmara Municipal e Assembleia Municipal, de que forma é que podemos melhorar e conciliar o destino, com as várias vontades”.

Há um Porto Santo diferente em agosto. Nem melhor, nem pior, dependendo da perspetiva, mas seguramente diferente. Mais visitantes, mais festas, mais negócio, menos tranquilidade, menos aquele sossego que carateriza a ilha no resto do ano, menos um pouco em junho, julho e, vá lá, ainda setembro. Um destino sazonal, que dificilmente poderá ser muito diferente, mas que também já foi pior neste contexto. É preciso, no entanto, fazer mais. De dentro para fora e de fora para dentro. Vender o destino, sim, mas com ordem.

A missão de Idalino Vasconcelos, o presidente da Câmara Municipal, não se afigura nada fácil. Nem tanto ao mar, nem tanto à serra, confronta-se com a necessidade de procurar o equilíbrio sem tirar o brilho de agosto, onde o barulho, a festa e o turismo diversificado, sobretudo de famílias, faz parte há longos anos. Não se pode dar ao luxo de escolher, mas como em tudo é preciso ter regras também e sobretudo para gerir um município.

Este ano, o debate, se quiserem a polémica, volta a emergir em agosto, a gosto de tudo aquilo que este mês traz de mudança na vida de quem ali vive todos os dias e não somente neste período de férias. Uma festa promovida pelo grupo empresarial Café do Teatro fez “saltar a tampa” de alguns visitantes, que era o ruído em demasia, que ninguém podia dormir, que era preciso colocar um travão nestes excessos. Do outro lado, porque como em tudo há o outro lado, a resposta que, se calhar, nada disto acontecia se o projeto passado do chamado Penedo do Sono, de certa forma isolado da zona residencial, não tivesse quase “morrido à nascença”. Falhou a aposta e as soluções são poucas para festas direcionadas para a juventude, que é muita, nesta época da ilha dourada. O grupo Café do Teatro já veio dizer que não volta à ilha tão cedo.

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“Existia em tempos um espaço ideal para este tipo de eventos (Penedo do Sono) que neste momento não está em utilização, mas sem dúvida, que era uma das melhores soluções”.

Idalino Vasconcelos mostra-se firme nos seus propósitos de defesa da ilha que gere politicamente. Diz que essa “é uma decisão estritamente daquele grupo empresarial. É importante fazer eventos culturais e recreativos, mas também é importante cumprir as regras e os regulamentos, bem como acatar as sugestões da Câmara Municipal que é composta por três forças políticas”.

Dito assim, é como quem diz, o Porto Santo precisa de investimento, de festas e de iniciativas, mas não a qualquer “preço”. Está clara a posição do Presidente da Câmara, que assegura haver uma estratégia para o Porto Santo, mas para todo o ano, incluindo o verão e há espaço para tudo e todos.  Esse trabalho é feito pelo Governo Regional em articulação com as autoridades locais”.

Será possível, nesse enquadramento da perspetiva, conciliar as festas de juventude com o Porto Santo destino de tranquilidade? Afastar a juventude não será, por certo, uma boa opção. Que alternativas? A Câmara está a ponderar espaços para este tipo de festas?

Idalino Vasconcelos, colocado perante estas questões, é uma vez mais direto com aquilo que compete à Autarquia e aos jovens, bem como com a necessidade de encontrar as soluções do tal equilíbrio que não afaste turismo e que possa permitir a coexistência entre diferenças. “Não é opção afastar a juventude. Devem existir eventos para a juventude, no entanto, iremos ponderar com a Câmara Municipal e Assembleia Municipal, de que forma é que podemos melhorar e conciliar o destino, com as várias vontades”.

Avaliar, debater, estudar o assunto é uma coisa. Ceder é outra. “Não podemos tolerar comportamentos de uma parte da juventude, (que prejudica o todo) que parece que deixou a educação e o civismo no mar da travessa. Não podemos aceitar vandalismo, destruição dos bens públicos e privados, bem como, por exemplo, sinais de trânsito. Não podemos tolerar o consumo de bebidas alcoólicas por menores nem tão pouco deve ser permitido a venda de álcool a menores, através de um controle mais eficaz por parte das autoridades. Existia em tempos um espaço ideal para este tipo de eventos (Penedo do Sono) que neste momento não está em utilização, mas sem dúvida, que era uma das melhores soluções”.

Os atos de vandalismo e os desacatos relatados não constiutem propriamente um cartão de visita, exigindo uma atuação por parte das forças policiais no terreno. Serão em número suficiente? “Temos tido uma relação muito estreita com a PSP e com a GNR. Fizemos diversas reuniões periódicas com aquelas força policial, em especial a PSP, (incluindo com o Comando Regional) no sentido de sensibilizar para os eventos do verão e o respetivo policiamento. Foi feito um reforço, no entanto, julgamos que o reforço pode ser maior, no pico de agosto, e até pode ser considerado, quiçá, a vinda de uma BIR, nas duas semanas mais procuradas do ano, no sentido de sensibilizar os cidadãos para os comportamentos menos adequados.  A Lei é geral e é para todos”.

Para Idalino Vasconcelos, enquadrando-se no que já foi percorrido este verão até metade de agosto, este período “está a ser francamente bom, quer para os turistas, quer para os hoteleiros, quer para os locais. No entanto, apesar de alguns excessos, não podemos julgar o todo por uma parte e por isso julgamos que o destino recomenda-se, obviamente. Há eventos, há procura e o destino está no bom caminho. Precisamos de todos.”