Tranquada considera que Porto Santo está bem posicionado para manter equilíbrio do crescimento sustentável

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O presidente da Assembleia Legislativa da Madeira,  Tranquada Gomes, afirmou hoje que o Porto Santo “está bem posicionado” para assumir o “desafio e compromisso” de aliar o desenvolvimento turístico à protecção do meio ambiente. Foram palavras proferidas na sessão solene do Dia do Concelho, que decorreu no auditório do Centro Cultural e Congressos. O ambiente e o crescimento sustentável, disse, formam “o binómio perfeito”.

Tranquada referiu que a “Ilha Dourada” “foi, durante muitos anos, demasiado tempo, dos portugais esquecidos de que falou o Senhor Presidente da República. Uma terra isolada, com pouca chuva, alvo de constantes ataques de piratas, que passou muitas fomes e grandes provações ao longo da sua história”. No entanto e apesar do abandono e da periferia, a comunidade porto-santense foi resistindo ao longo dos séculos que se seguiram ao seu povoamento.
“A história do Porto Santo, não obstante os excelentes trabalhos que têm sido ultimamente apresentados ainda está, em minha opinião, insuficientemente investigada e publicitada”, apontou o orador.

Apesar das dificuldades do passado, “depois da autonomia, felizmente tudo mudou e para melhor”, assegurou o presidente da ALRAM. “Podemos afirmar que com ela, o Porto Santo foi descoberto pela segunda vez. O forte investimento público em infraestruturas como o porto de abrigo, a dessalinizadora, o Centro de Saúde, a rede viária, em instalações escolares e
desportivas, atraiu o investimento privado, consolidando o Porto Santo como um lugar de excelência para o Turismo e para os que nele vivem”, congratulou-se.  “Está à vista de todos o desenvolvimento desta Ilha. É claro que à medida que vão
sendo satisfeitas as necessidades, outras surgem porque a exigência é sempre
mais e melhor. É assim o progresso. O Porto Santo tem, para além da sua beleza e atractividade singular que dele fazem
um destino turístico cada vez com maior visibilidade, tem uma grande capacidade de atracção que reside na protecção do ambiente e no mar e também na saúde e bem-estar”.

No seu entender, “a ilha pode e deve constituir um pólo turístico de excepção, não só pela hospitalidade das suas gentes, da segurança e do seu clima mas sobretudo pelo impacto que pode ter no turismo nacional e internacional, a concretização do projecto de um Porto Santo sustentável, assente nas energias renováveis, eficiência energética, mobilidade eléctrica e redes inteligentes, que tornará esta ilha na primeira ilha inteligente, livre de combustíveis fósseis”.

Tranquada Gomes frisou que numa época na qual as pessoas estão cada vez mais preocupadas com as alterações climáticas, as pessoas estão cada vez mais sensíveis a estes problemas “e vão optar cada vez mais por regiões e lugares onde as políticas amigas do meio ambiente estão implementadas”.

Na recta final do seu discurso, declarou: “Há quem diga que se podia fazer mais com a autonomia que temos. Poder, podíamos. Mas para que isso aconteça é necessário que a República cumpra com as suas obrigações no quadro dos seus deveres constitucionais e estatutários. Não é isso que infelizmente tem ultimamente acontecido. Os madeirenses estão justamente descrentes da boa vontade do Estado, ainda o ano passado anunciada em grandes parangonas pelo Primeiro Ministro, em visita à Madeira, em resolver problemas fundamentais que têm a ver com a mobilidade aérea e marítima com o novo hospital, com o financiamento dos subsistemas de saúde, com a manutenção dos juros agiotas cobrados à Região, com o Centro Internacional de Negócios e outras questões que são do conhecimento público. O Estado não pode desresponsabilizar-se de cumprir com as obrigações que
decorrem dos princípios da solidariedade nacional, da coesão nacional e da continuidade territorial”.

Terminou “desejando as maiores felicidades a toda a população desta bonita Ilha do Porto Santo e formulando votos para que a candidatura do Porto Santo a reserva da biosfera da UNESCO seja concretizada em breve, por ser de grande importância para esta ilha e para os que nela vivem”.

As comemorações do Dia do Concelho iniciaram-se com o hastear da bandeira no Largo do Pelourinho, seguida da Sessão Solene no Auditório do Centro Cultural e de Congressos, e de Missa Solene e Procissão na Igreja Nossa Senhora da Piedade.

No âmbito da cerimónia, que encerrou com homenagens pelo Dia do Concelho, Tranquada entregou uma distinção ao Comandante do Aeródromo nº3, tenente-coronel António José Mendes Nunes.