Bruno Pereira diz que os partidos debateram mais assuntos internos e prevê dificuldades nas negociações futuras na Europa

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O previsível aumento da abstenção em Portugal e o provável crescimento de movimentos populistas e extremistas no âmbito do Parlamento Europeu, num quadro eleitoral para os cinco anos de mandato que as eleições de hoje conferem, preocupam o diretor regional dos Assuntos Europeus, Bruno Pereira. Comunicar, comunicar, comunicar, é a receita que dá para inverter, futuramente, este ciclo negativo de participação. Aponta uma lacuna nos partidos, que comunicaram muito pelas questões internas, nacionais e regionais, mas também observa que alguns dos protagonistas revelam falta de preparação para as questões europeias.

Em declarações ao Funchal Notícias, logo após a divulgação das projeções relativas aos níveis de abstenção, que apontam para a possibilidade de se situar entre os 65 e os 70%, bem como com eventualidade de Marine Le Pen vencer em França, Bruno Pereira considera que o projeto europeu continua a sentir um défice relativamente à forma como as pessoas encaram em termos de importância, sendo que vejo esta realidade com grande preocupação, uma vez que enfraquece a participação de Portugal na Europa. Quando isto acontece, a responsabilidade nunca pertence às pessoas, mas às instituições, a quem caberá proceder às mudanças necessárias para inverter esta realidade”.

Para dar a volta a isto, Bruno Pereira não tem dúvidas: “Comunicação, comunicação, comunicação. É preciso reforçar a forma como dizermos aos eleitores o que é a Europa, o seu funcionameto, relembrar às pessoas que o investimento na Região, nos últimos 33 anos, andou próximo dos 4 mil milhões de euros, uma enormidade”.

Sendo que essa comunicação é desenvolvida muito pelos partidos, deverão estas estruturas alterar a sua forma de comunicar? Bruno Pereira é de opinião que “muitas vezes, os partidos políticos não ajudam quando discutem mais assuntos nacionais do que assuntos europeus. A proximidade das eleições nacionais e regionais veio, de certa forma confundir a mensagem junto do eleitorado, além da falta de preparação de alguns candidatos”.

O avanço da extrema direita na Europa, com Marine Le Pen a vencer na Europa, segundo as projeções, constitui, para Bruno Pereira, “uma apreensão”, ainda que, como recorda, a Frente de Le Pen tenha já apresentado resultados de subida, designadamente nas presidenciais. Afirma que “aquilo que está em causa, na Europa, é a diferença entre os partidos europeístas e os eurocéticos. Sabemos que os países de ditadura nunca trouxeram nada de positivo e o caminho é a união entre blocos económicos, políticos e sociais, para que as nossas empresas possam trabalhar. É esse o projeto europeu que defendo”.

Mas alerta para ums dificuldade de futuro que pode condicionar a Europa: “O aumento desses partidos, no Parlamento Europeu, pode dificultar a eleição da próxima composição da Comissão Europeia e a constituição do quadro económico plurianual. Antigamente, o Partido Popular Europeu e o Partido Socialista Europeu tinham maioria, mas isso pode não acontecer neste próximo mandato. Poderá ser um problema”.