Sindicato critica a actual carreira dos Vigilantes da Natureza

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A delegação regional do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas veio novamente manifestar-se contra o diploma da regulamentação de carreira dos Vigilantes da Natureza, agora aprovado pelo Governo Regional da Madeira.
“Primeiro, o diploma é apresentado com pompa e circunstância, como algo de extraordinário, transmitindo a imagem de um documento fantástico para beneficiar o trabalhador, algo completamente desvirtuado da realidade e longe das pretensões dos trabalhadores”, queixa-se o sindicato. “Apresentam como algo de extraordinário o aumento da penosidade quando em serviço nas
Ilhas Selvagens e Desertas e nos Ilhéus do Porto Santo (algo completamente utópico, porque nenhum dos Ilhéus apresenta condições dignas de pernoita para um ser humano), um aumento de 5,00€ na diária, num suplemento que não sofre uma actualização há mais de 20 anos. Reforçam como algo de extraordinário a manutenção do suplemento de risco, mantendo o valor, num suplemento que não é revisto também há mais de 20 anos, ou seja, não sofrendo qualquer tipo de alteração, quando este sindicato na sua proposta, propunha no mínimo, a integração do suplemento de risco no vencimento por forma a melhorar a colocação do trabalhador no
nível remuneratório, representando um aumento, um custo – para o Governo Regional – de 3,50€ no vencimento do VN e estando nós a falar de 37 elementos, de facto teria um custo orçamental brutal”, ironiza a estrutura sindical.

Já quanto à colocação no nível seguinte na tabela remuneratória, também anunciado como algo de extraordinário, diz o Sindicato, não é mais que um procedimento regular/normal quando da revisão de carreiras especiais.
A carreira de Vigilante da Natureza, apontam, não é valorizada como carreira especial, e fica abaixo da carreira geral de assistente técnico (equiparado à carreira do VN) e muito perto da carreira geral de assistente operacional. Num falar mais vulgar, é “passar de cavalo para burro”, denunciam.

O Sindicato, na sua proposta apresentou uma carreira com três categorias, dando uma outra valorização à carreira e motivação aos trabalhadores, tendo assim outra ambição na sua progressão, como uma tabela remuneratória praticamente idêntica à carreira de assistente técnico, não entrando em algo impossível de atingir nem em utopias, alega.
De carreira especial, agora apresentada, “só tem o nome, as obrigações e as responsabilidades, esquecendo-se de ser especial para quem defende um património valioso da nossa região, que é a sua natureza”, diz um comunicado de imprensa.

“Também damos conta, que esta carreira já era considerada como carreira específica, passando a especial, por mera alteração da palavra, um sinónimo, que o legislador criou na Lei 12A de 2008. Portanto é errado dizer que criou, porque não criou nada, simplesmente passou. Este sindicato, o mais representativo dos trabalhadores, tem ainda a lamentar a forma como
umas supostas negociações correram – de negociação não tiveram nada – com duas reuniões, a primeira, uma mera audição e uma segunda uma atitude completamente autista da Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais. São esses os valores democráticos deste governo”, denuncia.