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Esta é a minha postura da Medicina alternativa & Medicina convencional que foi discutida no último Prós e Contras na RTP1, na passada segunda-feira:
1. Embora não ache que tenha sido a abordagem mais correta num programa direcionado para o público e que tenha sido pessimamente moderado, acho certo sim que se denuncie charlatões que dizem que curaram o cancro de um cão com água do mar; que usaram um qualquer medicamento homeopático que vai contra os livros de biologia, bioquímica e fisiologia que conhecemos até hoje; ou que curaram certa doença com um método qualquer alternativo que não foi estudado e testado o suficiente com os métodos e amostras próprios do método científico, cingindo-se apenas a testemunhos de pessoas que disseram que funcionou. Ora, isso não tem validade científica, pode nem ser seguro e é preciso bem mais do que isso para serem integrados no tratamento de um doente. Só, até hoje, o método científico pode fazê-lo através dos seus processos de escrutínio. Só depois de um processo exaustivo de vários testes é que se pode realmente validar uma terapia para o tratamento de uma patologia na praça pública. Não sejamos intelectualmente desonestos a esse ponto.
2. Sou também da opinião de que não se pode colocar obviamente todas as “medicinas alternativas” no mesmo saco nem os seus praticantes. E creio que não se pode demonizar o papel de um ou de outro per si. Faz mais sentido a integração dos dois, sempre numa lógica de articulação com a medicina convencional em prol do bem estar do doente. Como já se faz na articulação das várias especialidades da medicina convencional. Agora decidam que papel querem ter na saúde pública.
3. Não vejo mal algum em nada que não seja convencional, mas que esteja devidamente documentado, recorrendo à evidência, às diversas ciências do corpo humano, à lógica, ao raciocínio, ao bom senso e à noção, sob risco de incorrer num retrocesso de toda a evolução do conhecimento até hoje. De modo a terem credibilidade, têm de se munir de provas concretas, sem recorrer a argumentos falaciosos ou estudos com factor de impacto muito baixo e até a crenças pessoais ou dogmas, pois ninguém é dono da verdade e a própria medicina convencional necessita de constante investigação para melhorar tratamentos, métodos, descobrir curas, etc. Como qualquer coisa neste planeta imperfeito.
4. O papel que as duas poderão desempenhar na saúde pública pode ser benéfico quando em complementaridade. A medicina convencional está mais do que estabelecida, já deu e continua a dar provas da sua eficácia, que embora não seja perfeita, até hoje foi o método que mais vidas salvou de epidemias, aumentou a esperança média de vida e deu alguma qualidade de vida a quem necessita de viver com qualquer doença crónica, portanto funciona. Restam as medicinas alternativas (as que se prezam, pois é injusto colocar todas no mesmo saco) conquistarem o seu lugar e respeito na sociedade, nomeadamente as que realmente têm algum fundamento de base e se podem realmente verificar como uma mais-valia para o doente. Enquanto não se verificar, temos que ser críticos e pragmáticos na utilização de certas medicinas e a legislação terá também de evoluir nesse sentido, de modo a garantir a segurança dos utentes.
5. Para esta simbiose funcionar, sugiro a mudança do nome, pois o nome “alternativo” sugere usar uma coisa em detrimento de outra, ser uma “alternativa a”. Para tudo isto correr bem e haver alguma sintonia e entendimento para o bem do utente, deveríamos apenas chamar de medicinas não convencionais ou simplesmente complementares. Creio que só isto já ajudaria na convivência de uma e de outra e os profissionais não estariam de costas voltadas e constantemente a pensar que uma substitui a outra.
Para que fique claro, não sou de uma nem de outra, sou pela verdade, pelo conhecimento e, acima de tudo, pela nossa saúde e embora seja recetivo a coisas novas, acho que tudo deverá passar por um processo de escrutínio ou o que eu chamo de filtro de charlatanice.
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