Jardim emocionou-se ao falar da família, do pai, do avô, dos netos e apresentou-se como “um reformado da Função Pública”

“Sinto-me bem dentro da família e reconheço que lhes devo muito. Não sou de baboseiras, mas estou a dizer-lhes isso hoje”.

Foi um Alberto João Jardim “diferente” aquele que hoje esteve presente no programa da TVI “Conta-me como és”, de Fátima Lopes. “Foi das melhores entrevistas que já me fizeram”, desabafou no final. Emocionou-se em diversos momentos, o mais forte quando falou da família, quando os netos falaram, quando a neta disse “gosto muito de ti”. Desmoronou-se, ali, o Jardim “durão”, que para a maioria é o mais conhecido. Lágrimas no canto do olho ao recordar o pai, “mimava-me mais do que a mãe”, lembra quando ia ao futebol com ele, mas também do avô, o tenente Cardoso. Outra coisa, outro registo foi quando abordou dois organismos que ao longo da vida política constituíram alguns dos seus “ódios de estimação”, a Comissão Nacional de Eleições, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

“Trate-me por Alberto João. Sou Alberto João, um reformado da Função Pública”. Foi assim que o ex-presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim começou a contar o seu percurso, como político, como homem, no programa da TVI. Uma conversa acompanhada por vários depoimentos, de João Carlos Abreu, Guilherme Silva, Almada Cardoso, a secretária de décadas na Quinta Vigia, Helena Câmara.

“Não me importo que falem de mim, quem exerceu as funções públicas, está sujeito. Não gosto é de injustiças. Hoje ainda acontece, olho para o espelho e dou graças a Deus estar vivo, há tanta gente que sofre. Posso não gostar de uma pessoa, mas não tenho raiva a ninguém”.

A dado momento, Jardim recorda ter definido “o momento de saída e saí quando quis, não perdi nenhuma eleição. Há um tempo para tudo e nós temos que saber viver cada tempo da nossa vida com a filosofia de bem estar. Não tenho saudades do que está para trás, tenho boas recordações”.

Falou da ERC e da CNE: “Há uns orgãos que não existem nos países democráticos, uma tal de Comissão de Eleições e uma Entidade para a Comunicação Social, próprios dos países sovietizados. Eu estava-me nas tintas para isso e quando saí do Governo tinha uns processos e o Guilherme Silva é que tem resolvido a minha defesa”.

Afirmou-se “um republicano por ideologia. Sou um presidencialista. Ia à Assembleia cinco vezes em cada mandato, no Orçamento e apresentação do Programa de Governo, não era muito adepto do Parlamento. Mas apesar disso, dos momentos que eu mais adorei foi quando ia ao Parlamento, adorava aquilo, mas por uma questão ideológica e de certo modo estratégica, procurei não ir a um determinado plano de discussão, entendi que era o líder do Governo mas também líder da Região”.

Falar da família foi a parte mais complicada da entrevista a Fátima Lopes, muito mais complicada. Com lágrimas nos olhos quando ouviu as declarações dos netos. Primeiro, não se abre muito: “Não vou estragar a privacidade que consegui manter. Mas depois, abriu-se um pouco. “Sou o mesmo das portas para dentro, a família é muito junta, fazemos férias juntas e temos muitas refeições. Este ano faço 50 anos de casado. Tenho que reconhecer que devo muito à minha família, à minha mulher, consegui um equilíbrio por saber que tinha uma retaguarda. Nem tempo tive de construir a família, isso foi mais da minha mulher. Sinto-me bem dentro da família e reconheço que lhes devo muito. Não sou de baboseiras, mas estou a dizer-lhes isso hoje”.


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