Música sacra barroca amanhã na igreja de São Vicente

A igreja de São Vicente acolhe, amanhã, dia 9 de março, a partir das 20 horas um concerto de música sacra barroca portuguesa.

A interpretação estará a cargo de um ensemble vindo de Lisboa.

A entrada é livre.

“In Festo S. Vicentii – Música para São Vicente”, através dos Polyphonos é o concerto Inaugural do Ciclo de Música Barroca “Música a Norte”.

O Santo Orago da Vila, à qual “empresta” o nome, é o pretexto para revisitar obras maiores do repertório da música sacra barroca portuguesa da primeira metade do século XVIII, dedicadas a São Vicente.

Foi Dom João V quem, a pretexto da elevação da Capela Real a Patriarcal, promoveu uma profunda reforma musical nas primeiras décadas do séc.XVIII, impondo o estilo romano como paradigma da música religiosa em Portugal.

A contratação de músicos estrangeiros, encabeçados por Domenico Scarlatti, e o envio para Roma de jovens compositores portugueses, como António Teixeira e Francisco António de Almeida, foram fundamentais para o sucesso desta reforma régia.

Entre as obras apresentadas merecem destaque, pela raridade com que são executadas, os Responsórios das Matinas de São Vicente de António Teixeira. Ponto alto do concerto será a estreia moderna (primeira vez que será executado desde o séc. XVIII) da antífona Angelis suis de António Teixeira.

Este programa dedicado a São Vicente pretende também criar uma relação com o período da Quaresma, através de uma reflexão sobre a ideia de sacrifício a que a vida deste Santo mártir foi sujeita.

Quem são os Polyphonos?

Polyphōnos, termo grego que designa a coexistência de muitos sons ou vozes, é um ensemble vocal e instrumental sediado em Lisboa, tendo sido fundado em 2016 por Raquel Alão, em parceria com Tiago Mota e José Bruto da Costa, a quem foi confiada a direcção artística. O repertório fundamental do ensemble centra-se na música portuguesa e ibérica dos séculos XV a XVIII, sendo a sua formação variável, de acordo com os programas apresentados.

A estreia do Polyphōnos decorreu no Festival Terras sem Sombra, na Igreja de São Salvador em Odemira, em Março de 2017.

Em 2018, foi convidado a encerrar a Conferência Internacional The Anatomy of Polyphonic Music Around 1500, no Centro Cultural D. Luís I, em Cascais, num concerto com obras de Des Prez, Anchieta, Compère, Escobar e Peñalosa.

Entre outros projectos para 2019-20, o Polyphōnos irá gravar um CD com obras de compositores portugueses dos sécs. XVI-XVII.

Neste programa irão apresentar-se numa formação de oito cantores e dois instrumentos de contínuo (Cravo e Violone). A saber,

Raquel Alão e Sara Afonso, superius
Arthur Filemon e António Menezes, altus
André Lacerda e Nuno Raimundo, tenor
José Bruto da Costa e Tiago Mota, bassus
Maria Bayley, cravo
Marta Vicente, violone

Eis o programa:

~AD MATUTINUM~
António TEIXEIRA (1707-1774)
Resporium I “Sacram beati Vicentii”
Resporium II “Si jubes Pater sanctes”
Resporium III “Tanta grassabatur crudelitas”
Resporium IV “Ecce iam in sublime agor”

Carlos SEIXAS (1704-1742)
Resporium V “Ardebat Vicentius”

~AD MISSAM~
Francisco António de ALMEIDA (1703-1754)
“Si quaeris miracula”
“Justus ut palma florebit”

~AD VESPERAS~
António TEIXEIRA
“Angelis suis Deus” [estreia moderna]

Francisco António de ALMEIDA
“Magnificat”


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